
Galípolo afirma que Banco Central não negocia mandato e reforça defesa da autonomia institucional
Presidente da autoridade monetária cobra avanço em independência financeira e administrativa para proteger decisões técnicas
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quinta-feira (9) que a instituição não está disposta a “negociar seu mandato” e defendeu o fortalecimento da autonomia da autoridade monetária. A fala ocorreu durante um evento em São Paulo, onde o dirigente destacou a importância de blindar decisões técnicas contra pressões externas.
Autonomia ainda incompleta, diz presidente do BC
Segundo Galípolo, apesar de o Banco Central já contar com independência operacional, ainda existem lacunas institucionais que precisam ser preenchidas. Para ele, é fundamental garantir segurança para que decisões técnicas sejam tomadas sem risco de retaliações futuras.
O presidente ressaltou que a consolidação dessa autonomia é essencial para preservar a credibilidade da instituição e assegurar estabilidade na condução da política monetária.
Declaração ocorre em meio a pressão sobre a instituição
As declarações acontecem em um momento de maior escrutínio sobre o Banco Central, especialmente após episódios recentes envolvendo o sistema financeiro, como o caso do Banco Master. Investigações em andamento levantaram questionamentos sobre a atuação de agentes do setor, aumentando a pressão sobre o órgão regulador.
Mesmo diante desse cenário, Galípolo evitou comentar diretamente casos específicos e manteve o foco na necessidade de fortalecer a estrutura institucional do BC.
PEC 65/2023 é apontada como passo decisivo
Durante o evento, o presidente do Banco Central também defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, atualmente em análise no Congresso Nacional.
A proposta prevê ampliar a autonomia administrativa, orçamentária e financeira da instituição, permitindo maior independência na gestão de recursos e na organização interna. A medida também busca reforçar a proteção dos dirigentes contra interferências externas.
Institucionalidade e responsabilidade técnica em foco
Galípolo destacou que a autonomia vai além de regras formais, sendo um princípio fundamental para o funcionamento do Banco Central. Segundo ele, a instituição deve ter liberdade para reconhecer falhas e corrigir rumos quando necessário.
Para o dirigente, a independência do BC é um elemento-chave para garantir decisões baseadas em critérios técnicos, contribuindo para a estabilidade econômica e a confiança no sistema financeiro.