
CPMI do INSS avalia convocar irmã do “Careca do INSS” — e lá vem a tentativa de puxar Flávio Bolsonaro pro enredo
Comissão discute chamada de administradora ligada ao empresário, enquanto narrativa tenta colar o caso no escritório do senador
A CPMI do INSS deve analisar a convocação de Letícia Caetano dos Reis, apontada como irmã de um sócio do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Até aí, tudo certo: CPMI existe justamente pra investigar, chamar envolvidos e tentar entender o tamanho do rolo.
O problema começa quando a história ganha aquele tempero clássico de Brasília: a pressa em transformar apuração em palanque, com uma tentativa quase automática de encaixar Flávio Bolsonaro no enredo — como se bastasse uma “ligação com escritório” para virar manchete pronta, com cara de condenação antecipada.
Ou seja: em vez de focar no que realmente importa — quem fez o quê, com que dinheiro, de que forma e com quais benefícios — a narrativa parece mais interessada em criar uma trilha sonora política, daquelas feitas sob medida para gerar barulho.
No fim, o que deveria ser investigação séria corre o risco de virar mais um capítulo do “vale tudo” da disputa ideológica: um caso grave, tratado como munição, e não como responsabilidade institucional.