
CPMI do INSS investiga sindicato ligado a irmão de Lula
Comissão pede abertura de sigilo sobre atuação de dirigentes do Sindnapi entre 2015 e 2023
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou nesta quinta-feira (4) um pedido para obter informações sigilosas sobre pessoas que atuavam em nome do Sindicato Nacional dos Aposentados da Força Sindical (Sindnapi) no período entre 2015 e 2023. O irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, é vice-presidente da entidade.
Apesar do requerimento, não há indicação de que Frei Chico será convocado a depor na comissão.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou ainda que solicitou à Polícia Legislativa a intimação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, cuja convocação já havia sido aprovada pelo colegiado.
Os pedidos incluem dados sobre viagens internacionais realizadas pelo lobista nos últimos cinco anos, registros de entradas e saídas do país e informações sobre veículos apreendidos no âmbito da Operação Sem Desconto. Além disso, a comissão quer derrubar o sigilo de 100 anos que cobre o trânsito de Antônio Carlos nas dependências do Congresso Nacional.
Conhecido como Careca do INSS, Antônio Carlos Camilo Antunes atuava em nome de associações perante o INSS, recebendo 27,5% sobre cada desconto obtido para aposentados. Quebras de sigilo bancário revelaram pagamentos feitos por ele e suas empresas a parentes de ex-dirigentes do instituto.
O esquema começou a ser revelado pelo Metrópoles em dezembro de 2023, mostrando que a arrecadação das entidades por descontos de mensalidades atingiu R$ 2 bilhões em um ano, enquanto enfrentavam milhares de processos por fraudes em filiações de segurados. As reportagens impulsionaram investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, culminando na Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2024, que resultou na demissão do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.