Juiz e ex-assessor de Moraes são denunciados por esquema de desvio em SP

Juiz e ex-assessor de Moraes são denunciados por esquema de desvio em SP

A Procuradoria de São Paulo acusa Peter Eckschmiedt e Eduardo Tagliaferro, junto a 11 pessoas, de peculato e organização criminosa

A Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo (PGJ) apresentou, nesta quarta-feira (3/9), denúncia contra o juiz Peter Eckschmiedt e o perito Eduardo Tagliaferro, além de outras 11 pessoas, por peculato e participação em organização criminosa.

Tagliaferro, que já atuou como assessor do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o magistrado de fraudar relatórios para justificar uma operação contra empresários ligados a Bolsonaro em 2022 — acusação negada por Moraes.

De acordo com a denúncia, Eckschmiedt teria criado e liderado um esquema para obter vantagens financeiras ilícitas em processos da 2ª Vara Cível de Itapevi, na Grande São Paulo. Em 2024, uma operação conjunta da PGJ e da Polícia Militar resultou na apreensão de R$ 1,7 milhão escondidos no sótão da casa do juiz em Jundiaí.

O juiz já foi condenado à aposentadoria compulsória, a punição mais severa aplicável a um magistrado, decisão unânime desde 21 de maio deste ano.

Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, o grupo criava ações fraudulentas apresentando documentos falsificados, como notas promissórias e certificados cadastrais. Eckschmiedt direcionava essas ações à 2ª Vara Cível de Itapevi, emitindo decisões de bloqueio e desbloqueio de valores que eram transferidos para contas judiciais ligadas ao esquema, beneficiando principalmente o juiz.

Tagliaferro, ex-assessor de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atuava no grupo realizando “limpezas” nos celulares dos envolvidos, dificultando a investigação, conforme aponta a PGJ. Entre os alvos do esquema estavam valores de heranças, incluindo os do empresário e ex-piloto de Stock Car Alexandre Negrão, falecido em 2023.

Posição dos acusados
A defesa de Tagliaferro afirmou que, por se tratar de processo sigiloso, se manifestará apenas nos autos, negando as acusações e reafirmando compromisso com a verdade e o devido processo legal. O juiz Eckschmiedt não respondeu aos pedidos de comentário da reportagem.

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