
Crise em Washington
EUA entram no 1º shutdown desde 2019 após impasse entre Trump e democratas
Paralisação fecha parte do governo, afeta serviços e pode atingir a economia se durar semanas
O relógio bateu meia-noite em Washington e o Congresso dos Estados Unidos não conseguiu aprovar o orçamento, mergulhando o país em seu primeiro shutdown em quase sete anos — e o terceiro sob Donald Trump.
Com isso, o Escritório de Orçamento da Casa Branca acionou os planos de contingência: agências federais suspenderam atividades não essenciais, deixando centenas de milhares de servidores em casa sem salário e paralisando uma série de serviços públicos.
O embate entre republicanos e democratas gira em torno de subsídios de saúde e tem um pano de fundo político claro: a disputa pelo controle do Congresso em 2026. Analistas alertam que, se a paralisação durar três semanas, a taxa de desemprego pode saltar de 4,3% para até 4,7%, já que os servidores afastados entram nas estatísticas como desempregados temporários.
Trump, por sua vez, sinalizou que pretende usar o impasse como arma política: além da dispensa temporária de 750 mil funcionários federais, falou até em demissões permanentes em massa. Isso poderia aprofundar os efeitos econômicos, especialmente em regiões dependentes da máquina pública, como Washington, DC.
A história mostra que parte dos prejuízos de shutdowns é recuperada, mas não tudo. Em 2019, quando o governo ficou fechado por cinco semanas, a economia perdeu US$ 11 bilhões, dos quais US$ 3 bilhões jamais voltaram.
O fechamento atual já atrasa a divulgação de dados-chave da economia, como o relatório de empregos, usado pelo Federal Reserve para decidir sobre juros. Sem essas informações, investidores ficam no escuro.
Não à toa, bolsas asiáticas e futuros de Wall Street caíram, e o dólar perdeu força frente a outras moedas. O receio agora é que, após meses de alta nos mercados, uma oscilação causada pelo shutdown leve a vendas em massa e correções abruptas.