
Crise nos Correios: baixa adesão ao PDV expõe desgoverno de Lula
Programa de desligamento voluntário não atinge metas e preocupa economia pública
A crise nos Correios chega a níveis históricos. Até agora, apenas 2,5 mil funcionários aderiram ao Plano de Desligamento Voluntário (PDV), muito abaixo da meta inicial de 10 mil adesões em 2026, e deixando a estatal distante de economizar os R$ 2 bilhões previstos a partir de 2027. Diante da baixa procura, a empresa decidiu prorrogar o prazo até 7 de abril, na tentativa de atrair mais participantes, oferecendo condições adicionais para o plano de saúde familiar.
O PDV é parte de um programa de reestruturação anunciado no final de 2025, que também prevê fechamento de agências, reorganização de cargos e leilão de imóveis. No entanto, todas essas medidas enfrentam dificuldades para sair do papel, e os resultados prometidos pelo governo de Lula parecem cada vez mais distantes da realidade.
Déficit histórico e intervenção do governo
A situação só não se agravou ainda mais porque, no fim de 2025, os Correios conseguiram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco bancos públicos e privados, com aval do Tesouro Nacional. Ou seja, o dinheiro público será usado para cobrir déficits e pagar dívidas com fornecedores caso a empresa não consiga arcar sozinha com os compromissos.
Os números mostram a dimensão da crise: 13 trimestres consecutivos de déficit. Em 2024, o rombo passou de R$ 2,5 bilhões, e até setembro de 2025, o déficit acumulado já era superior a R$ 6 bilhões. O resultado final de 2025 ainda não foi divulgado, mas a tendência é de continuidade dos prejuízos.
Plano mantido, mas especialistas alertam para falência técnica
O presidente dos Correios, Emannoel Randon, afirma que o plano de reestruturação está sendo cumprido:
“Estamos seguindo exatamente o que foi projetado, priorizando a eficiência operacional, mantendo entregas dentro do prazo e regularidade nos serviços. O plano de reestruturação está em andamento.”
No entanto, especialistas do setor financeiro são categóricos ao apontar que o cenário só tende a piorar. Armando Castelar, da FGV IBRE, explica:
“Pouco mais de um quinto da meta foi alcançada. A venda de imóveis públicos é complexa, e a reação negativa dos funcionários pode piorar ainda mais o serviço. O prejuízo aumenta, e o risco de falência técnica é real.”
Para Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central, os Correios só não quebram porque recebem transfusões contínuas de dinheiro público, enquanto os programas de ajuste permanecem tímidos e insuficientes:
“Tecnicamente, os Correios estão quebrados. A única saída viável é a privatização.”
Impacto para o cidadão e legado do desgoverno
O desgoverno de Lula deixa claro seu fracasso na gestão da estatal: investimentos tímidos, metas inalcançáveis e soluções improvisadas custam caro ao contribuinte brasileiro. A população sofre com serviços precários, atrasos e incerteza sobre o futuro da empresa.
O episódio do PDV reforça uma imagem de incompetência administrativa, em que medidas anunciadas com pompa não correspondem à realidade, e o brasileiro mais uma vez paga a conta de um governo incapaz de gerir empresas estratégicas.