
Datafolha aponta Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 33% no 1º turno; disputa fica mais apertada no segundo
Pesquisa divulgada às vésperas de atos simultâneos de Lula e Flávio no Rio mostra vantagem de seis pontos para o presidente, mas diferença cai para quatro pontos em eventual segundo turno; levantamento também expõe um cenário eleitoral ainda aberto e alimenta o debate sobre a confiabilidade das pesquisas
A corrida presidencial de 2026 entra em uma nova fase com a divulgação de uma pesquisa Datafolha que coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, mas revela uma disputa consideravelmente mais equilibrada quando os dois são colocados frente a frente em um eventual segundo turno.
Segundo o levantamento divulgado na sexta-feira (21), Lula aparece com 39% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. A diferença, portanto, é de seis pontos percentuais no cenário estimulado.
O resultado ganha peso político porque é o primeiro levantamento do instituto após o início oficial da campanha e chega em um momento de forte polarização entre o petismo e o bolsonarismo. Neste sábado (22), Lula e Flávio realizam atos políticos no Rio de Janeiro, em uma demonstração de força eleitoral dos dois grupos.
A pesquisa foi realizada entre 18 e 20 de agosto, ouviu 2.058 eleitores e informa margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026.
Há, entretanto, uma ressalva importante: o material divulgado pelo R7 apresenta o campo referente ao nível de confiança como “XXXXXXXXXX%”, sem informar o percentual correspondente. Essa inconsistência na publicação deve ser considerada na leitura dos dados e impede que esse indicador específico seja reproduzido como se estivesse disponível no material apresentado.
Os números do primeiro turno
O cenário estimulado apresentado pelo Datafolha ficou assim:
| Candidato | Intenção de voto |
|---|---|
| Lula (PT) | 39% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 33% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 5% |
| Renan Santos (Missão) | 4% |
| Romeu Zema (Novo) | 3% |
| Augusto Cury (Avante) | 2% |
| Samara Martins (UP) | 1% |
| Rui Costa Pimenta (PCO) | 1% |
| Wilson Grassi (Democrata) | 1% |
| Edmilson Costa (PCB) | 1% |
| Clariana Barão (DC) | 0% |
| Hertz Dias (PSTU) | 0% |
| Branco/nulo | 6% |
| Indecisos | 4% |
O primeiro dado que chama atenção é a concentração da disputa nos dois principais candidatos. Lula e Flávio somam 72% das intenções de voto no cenário apresentado.
Ao mesmo tempo, a existência de 6% de eleitores que afirmam votar branco ou nulo e 4% de indecisos mostra que parte do eleitorado ainda não está consolidada.
Esse grupo pode adquirir importância especialmente em uma eleição polarizada, na qual pequenas mudanças de comportamento podem alterar significativamente a distância entre os dois primeiros colocados.
Segundo turno reduz vantagem de Lula
O dado politicamente mais sensível do levantamento aparece quando o Datafolha simula um segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Nesse cenário, o presidente registra 47%, enquanto o senador chega a 43%.
A diferença cai para apenas quatro pontos percentuais.
Considerando a margem de erro de dois pontos para cada lado, a fotografia mostra uma disputa muito mais apertada do que aquela observada no primeiro turno.
O levantamento registra ainda 9% de votos em branco, nulos ou em nenhum dos candidatos, enquanto 2% afirmam não saber em quem votar.
O cenário Lula x Flávio ficou, portanto:
Lula (PT): 47%
Flávio Bolsonaro (PL): 43%
Branco/nulo/nenhum: 9%
Não sabe: 2%
É justamente esse quadro que deve ser observado com maior atenção pelas campanhas. Uma vantagem de seis pontos no primeiro turno não se transforma automaticamente em vantagem confortável no segundo.
Lula também lidera contra os demais adversários
O Datafolha simulou outros três confrontos de segundo turno.
Contra Ronaldo Caiado, Lula aparece com 47%, enquanto o governador goiano registra 40%.
No cenário contra Renan Santos, Lula alcança 47%, contra 37% do candidato do Missão.
Já diante de Romeu Zema, o presidente aparece com 48%, contra 38% do governador mineiro.
Os resultados apresentados pelo levantamento são:
Lula x Ronaldo Caiado
Lula: 47%
Caiado: 40%
Branco/nulo/nenhum: 11%
Indecisos: 3%
Lula x Renan Santos
Lula: 47%
Renan Santos: 37%
Branco/nulo/nenhum: 14%
Indecisos: 2%
Lula x Romeu Zema
Lula: 48%
Zema: 38%
Branco/nulo/nenhum: 12%
Indecisos: 2%
A pesquisa deve ser vista com cautela
Embora levantamentos eleitorais sejam instrumentos importantes para compreender tendências, os números não equivalem ao resultado da eleição. Uma pesquisa é uma fotografia de determinado momento, realizada a partir de uma amostra de eleitores e submetida a critérios metodológicos específicos.
Por isso, a divulgação dos números também reacende o debate sobre a confiança do eleitor nas pesquisas eleitorais.
Essa desconfiança não significa, por si só, que os números do Datafolha estejam errados. Também não é possível afirmar, a partir desse levantamento isoladamente, que exista manipulação ou distorção deliberada. Qualquer acusação desse tipo exigiria evidências concretas e análise metodológica.
O ponto objetivo é outro: pesquisa eleitoral não é previsão matemática do resultado final.
A margem de erro indicada é de dois pontos percentuais. Isso significa que, dentro das condições metodológicas anunciadas, os resultados podem oscilar em torno dos percentuais apresentados.
No caso do segundo turno entre Lula e Flávio, a diferença de quatro pontos — 47% contra 43% — é particularmente relevante. A distância existe na fotografia do levantamento, mas não deve ser interpretada como uma vantagem eleitoral definitiva.
Além disso, o cenário político pode mudar rapidamente ao longo da campanha.
O problema da confiança pública
A questão da confiança ganha ainda mais importância porque pesquisas eleitorais passaram a ocupar posição central na estratégia dos partidos.
Números favoráveis são utilizados por candidatos para reforçar a percepção de força; números negativos podem ser empregados pelos adversários para produzir a impressão de crise.
O eleitor, entretanto, precisa separar duas coisas: a pesquisa e a interpretação política feita sobre ela.
Uma pesquisa pode indicar Lula na frente e, simultaneamente, revelar que Flávio está suficientemente próximo para tornar a disputa competitiva. O mesmo levantamento pode ser usado por um lado para afirmar que Lula lidera e pelo outro para sustentar que a eleição está aberta.
Ambas as leituras podem partir dos mesmos números, desde que respeitados os limites estatísticos.
Flávio aparece em segundo com 33%
Os 33% atribuídos a Flávio Bolsonaro no primeiro turno são outro elemento importante do levantamento.
O senador aparece seis pontos atrás de Lula, mas muito à frente dos demais candidatos. Ronaldo Caiado tem 5%; Renan Santos, 4%; e Romeu Zema, 3%.
Isso significa que, no cenário pesquisado, a disputa pelo segundo lugar está distante de ser equilibrada: Flávio concentra uma parcela do eleitorado muito superior à dos demais adversários de Lula.
A campanha do PL tende a explorar principalmente o segundo turno, no qual a distância para Lula cai de seis para quatro pontos.
Atos no Rio aumentam temperatura da disputa
A divulgação da pesquisa ocorre no mesmo fim de semana em que Lula e Flávio protagonizam atos políticos no Rio de Janeiro.
A coincidência transforma o resultado do levantamento em combustível para a disputa narrativa.
Para o campo petista, os 39% representam a liderança no primeiro turno e os 47% no segundo. Para o grupo de Flávio, os 33% e, principalmente, os 43% no confronto direto podem ser apresentados como sinais de competitividade.
A disputa deixa de ser apenas uma batalha por números e passa a ser também uma batalha pela interpretação desses números.
O que os números realmente mostram
A fotografia produzida pelo levantamento é clara em alguns pontos.
Lula lidera o primeiro turno com 39%.
Flávio Bolsonaro aparece em segundo, com 33%.
A diferença entre os dois é de seis pontos percentuais.
No segundo turno, a vantagem de Lula cai para quatro pontos: 47% a 43%.
Os demais candidatos aparecem bem abaixo dos dois principais nomes.
Mas há também aquilo que a pesquisa não pode responder.
Ela não determina quem vencerá a eleição. Não elimina a possibilidade de mudanças no eleitorado. Não substitui o voto depositado nas urnas. E tampouco permite concluir, isoladamente, que um instituto tenha acertado ou errado uma eleição futura.
Outro ponto merece registro: o percentual do nível de confiança não consta no conteúdo fornecido pelo R7, aparecendo como “XXXXXXXXXX%”. A informação deveria ser conferida diretamente na ficha técnica ou no registro correspondente antes de ser reproduzida em uma publicação jornalística como dado definitivo.
Uma eleição ainda em movimento
A pesquisa Datafolha coloca Lula na frente, mas também revela uma disputa presidencial longe de estar resolvida.
Os 39% de Lula contra 33% de Flávio mostram vantagem petista no primeiro turno. Os 47% contra 43% no segundo turno, porém, desenham uma corrida muito mais apertada.
A partir de agora, cada debate, ato de campanha, propaganda eleitoral, crise política e mudança de cenário econômico pode influenciar a percepção do eleitor.
E, em uma eleição marcada pela polarização, a batalha pelos números será acompanhada de outra disputa: a batalha pela credibilidade das pesquisas e pela interpretação que cada campanha fará delas.
A única certeza, neste momento, é que pesquisa não é urna. O Datafolha registra um retrato do eleitorado entrevistado entre 18 e 20 de agosto; o resultado eleitoral, entretanto, só será definido pelos votos efetivamente depositados nas urnas.
Fonte: levantamento divulgado pelo R7/Record em 21 de agosto de 2026. Confira a reportagem original do R7