Flávio Bolsonaro chama novas restrições impostas por Moraes a Jair Bolsonaro de “covardes” e acusa ministro de interferir nas eleições

Flávio Bolsonaro chama novas restrições impostas por Moraes a Jair Bolsonaro de “covardes” e acusa ministro de interferir nas eleições

Senador afirma que decisão do STF é “ilegal, desproporcional e cruel”, acusa Alexandre de Moraes de agir politicamente e sustenta que medidas contra o ex-presidente buscam impedir a influência da família Bolsonaro na disputa eleitoral de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, reagiu duramente à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou as restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro no regime de prisão domiciliar. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (17), Flávio classificou a decisão como “covarde”, “cruel” e “desproporcional”, além de acusar o magistrado de atuar com motivação política.

A decisão de Moraes foi tomada após o ministro concluir que Jair Bolsonaro descumpriu medidas cautelares ao participar, por meio de uma carta, de uma manifestação de apoio à pré-candidatura do próprio filho. O documento foi lido por Flávio durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais e acabou interpretado como uma tentativa de interferência no cenário eleitoral de 2026.

Para o senador, no entanto, a reação do ministro extrapola os limites de uma decisão judicial e representa uma tentativa de impedir que Jair Bolsonaro continue exercendo influência política mesmo estando submetido a restrições judiciais.

“Mais uma decisão ilegal, desproporcional, covarde e cruel. O Bolsonaro foi enterrado vivo, só com a cabeça para fora da terra, e está tomando chute na cara de Moraes”, afirmou Flávio.

Na avaliação do pré-candidato, o ministro teria perdido a imparcialidade necessária ao exercício da magistratura por causa do temor de que Jair Bolsonaro ou outro integrante da família volte à Presidência da República.

“O medo de que Bolsonaro, ou um Bolsonaro, volte à Presidência do Brasil, tirou completamente a sua condição de ser juiz”, declarou o senador.

Quais foram as novas restrições

A decisão de Alexandre de Moraes não determinou o retorno imediato de Jair Bolsonaro ao regime fechado. O ministro acompanhou o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que o episódio envolvendo a divulgação da carta, por si só, não justificaria a mudança imediata do regime de cumprimento da pena.

Moraes, porém, impôs novas restrições com o argumento de impedir que o ex-presidente interfira no processo eleitoral de 2026.

Entre as medidas determinadas estão:

  • suspensão, por 30 dias, das visitas sociais a Jair Bolsonaro;
  • proibição de encontros com Flávio Bolsonaro pelo prazo de 90 dias;
  • impedimento de visitas com finalidade político-eleitoral até o encerramento do período eleitoral;
  • proibição da divulgação de manifestos políticos ou eleitorais produzidos por Jair Bolsonaro, inclusive quando a divulgação ocorrer por meio de terceiros;
  • manutenção das demais restrições impostas anteriormente ao ex-presidente.

Para Moraes, Jair Bolsonaro está com os direitos políticos suspensos em razão de uma condenação criminal definitiva. Nesse contexto, o ministro entendeu que a produção e a divulgação de mensagens de conteúdo político ou eleitoral poderiam representar uma forma indireta de participação na disputa eleitoral.

Flávio acusa Moraes de “vingança”

Ao criticar a decisão, Flávio Bolsonaro afirmou que o ministro Alexandre de Moraes estaria utilizando o processo judicial para promover uma espécie de retaliação política contra seu pai e sua família.

O senador classificou a medida como uma “vingança” e voltou a acusar o ministro de tentar impedir a atuação política do grupo bolsonarista.

A crítica ocorre em meio a uma escalada de confrontos entre Flávio Bolsonaro e integrantes do STF. O senador já havia acusado Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino de tentarem interferir nas eleições de 2026. Em declarações recentes, afirmou que a Primeira Turma do Supremo estaria assumindo funções que, na visão dele, deveriam ser tratadas pela Justiça Eleitoral.

No novo pronunciamento, Flávio também retomou as eleições de 2022 e acusou Moraes de ter desequilibrado aquele processo eleitoral.

“O Moraes desequilibrou as eleições de 2022 e tenta interferir de novo em 2026”, afirmou.

O senador voltou a defender a tese de que determinadas decisões envolvendo políticos e candidatos deveriam ser analisadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não pela Primeira Turma do STF.

“É descarada a bizarra estratégia de roubar da Primeira Turma do STF causas que deveriam ser apreciadas pela Justiça especializada: o TSE nas eleições”, declarou.

A disputa em torno da carta

O episódio que provocou a ampliação das restrições começou com a divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro. O documento foi entregue ao filho durante uma visita e posteriormente lido por Flávio em uma transmissão ao vivo.

O caso provocou uma divergência pública entre as versões apresentadas por pai e filho. Flávio afirmou durante a transmissão que Jair Bolsonaro o havia colocado como seu “porta-voz”. Posteriormente, a defesa do ex-presidente informou ao STF que Bolsonaro não sabia previamente que a carta seria lida durante uma live.

Segundo os advogados, a divulgação ocorreu por decisão de Flávio, sem autorização prévia, orientação ou combinação com o ex-presidente.

Moraes considerou, entretanto, que o episódio demonstrou a necessidade de ampliar as restrições para evitar que Jair Bolsonaro continue participando da disputa eleitoral por intermédio de terceiros.

É justamente nesse ponto que Flávio concentra parte de sua crítica. Para o senador, a decisão transforma uma manifestação política em uma justificativa para impedir a comunicação entre pai e filho e limitar a atuação pública de Jair Bolsonaro.

Flávio diz que STF tenta “enterrar” Bolsonaro

Em seu discurso, o senador afirmou que as medidas judiciais fazem parte de uma estratégia para eliminar politicamente o ex-presidente.

“O Bolsonaro foi enterrado vivo”, afirmou Flávio, ao criticar as restrições impostas por Moraes.

A frase se soma a outra declaração feita pelo senador nos últimos dias, quando afirmou que a atuação de setores do Supremo teria como objetivo “enterrar Bolsonaro vivo” e desgastar a imagem do Partido Liberal e de seus parlamentares.

Flávio também sustenta que as decisões judiciais contra integrantes da família Bolsonaro têm efeito direto sobre as eleições de 2026, especialmente porque ele próprio é pré-candidato à Presidência da República.

A avaliação do senador é que impedir o contato com Jair Bolsonaro, restringir a divulgação de mensagens e proibir manifestações de caráter eleitoral reduz a capacidade de influência do ex-presidente sobre seus apoiadores.

Debate sobre impeachment de ministros deve ganhar força em 2027, diz senador

Flávio Bolsonaro também voltou a defender que o Senado Federal deverá discutir, com maior intensidade, a possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros do STF a partir de 2027.

Segundo o senador, uma eventual mudança na composição do Senado após as eleições de 2026 poderia ampliar o espaço político para a análise de pedidos contra integrantes da Corte.

Ele afirma que o debate se tornará “inevitável” e relaciona a possibilidade de abertura de processos ao que considera abusos de autoridade e decisões excessivas por parte de ministros do Supremo.

Alexandre de Moraes aparece como o principal alvo das críticas do senador.

Confronto entre STF, bolsonarismo e eleições

A nova decisão amplia a tensão entre o Supremo Tribunal Federal e o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. De um lado, Alexandre de Moraes afirma que as medidas são necessárias para garantir o cumprimento das decisões judiciais e impedir que um condenado com direitos políticos suspensos interfira na disputa eleitoral por meio de manifestações públicas ou de terceiros.

De outro, Flávio Bolsonaro sustenta que as restrições são politicamente motivadas e representam uma tentativa de impedir a participação de Jair Bolsonaro no debate nacional.

O conflito ocorre em um momento de forte antecipação da disputa presidencial de 2026. Flávio se apresenta como pré-candidato ao Palácio do Planalto e busca consolidar-se como um dos principais nomes do campo bolsonarista.

A decisão de Moraes, portanto, tem consequências que ultrapassam o ambiente familiar e jurídico. Ao impedir visitas com finalidade político-eleitoral e manifestações públicas atribuídas a Jair Bolsonaro, o ministro interfere diretamente na forma como o ex-presidente poderá se comunicar com seus apoiadores durante o período eleitoral.

Para Flávio Bolsonaro, essa é justamente a prova de que o caso deixou de ser apenas uma questão judicial.

Na visão do senador, Moraes estaria utilizando o poder de sua posição para limitar a atuação política de seu pai e influenciar o ambiente eleitoral de 2026. Já para o ministro e os órgãos envolvidos no processo, as medidas têm como objetivo garantir o cumprimento das restrições judiciais e impedir uma eventual utilização da estrutura política de terceiros para contornar as limitações impostas ao ex-presidente.

O embate, entretanto, está longe de terminar. Com Jair Bolsonaro submetido a novas restrições, Flávio em campanha antecipada e o STF no centro da disputa política, o caso tende a permanecer como um dos principais pontos de tensão entre o bolsonarismo e a Suprema Corte até as eleições de 2026.

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