
De evangélicos a católicos: Janja intensifica agenda religiosa às vésperas da eleição e amplia estratégia de aproximação com fiéis
Primeira-dama participa de encontro nacional promovido pelo PT em Brasília e reforça movimento para reduzir a resistência de Lula entre os principais segmentos religiosos do país
A poucos meses do início oficial da campanha eleitoral, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, voltou a colocar a religião no centro de sua agenda política. Depois de promover encontros com lideranças e mulheres evangélicas nas últimas semanas, agora chegou a vez de estreitar laços com o eleitorado católico, um dos grupos considerados estratégicos para a disputa presidencial de 2026.
Nesta terça-feira (30), Janja participa do Encontro Nacional de Católicos e Católicas do PT, realizado na sede nacional da legenda, em Brasília. O evento reúne dirigentes do partido, religiosos e militantes para discutir temas como democracia, justiça social, participação popular e os desafios enfrentados pelo Brasil.
A movimentação chama atenção pelo momento em que ocorre. Afinal, durante boa parte do atual governo, a relação entre o Palácio do Planalto e importantes setores religiosos foi marcada por distanciamento e críticas. Agora, com a corrida eleitoral se aproximando, o diálogo com esses grupos ganha novo protagonismo.
Estratégia mira eleitorado onde Lula enfrenta maior resistência
Nos bastidores do Partido dos Trabalhadores, a leitura é clara: tanto entre evangélicos quanto entre parte significativa dos católicos conservadores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda encontra índices elevados de rejeição.
Diante desse cenário, Janja passou a assumir um papel cada vez mais ativo na tentativa de abrir canais de conversa com lideranças religiosas e fiéis. A estratégia busca diminuir resistências e aproximar o governo de um público que teve forte influência nas últimas eleições presidenciais.
É uma mudança que não passa despercebida. Se antes o discurso governista concentrava esforços em outras pautas, agora a fé ocupa espaço de destaque na agenda política. Para muitos observadores, a coincidência entre essa intensificação e a proximidade da campanha acaba despertando inevitáveis comparações e questionamentos sobre o timing da iniciativa.
Evento reúne nomes ligados à Igreja e à direção do PT
Além da presença de Janja, o encontro contará com figuras conhecidas da militância católica, como o monge beneditino Marcelo Barros e o frei Davi, fundador da Educafro.
Também participam o presidente nacional do PT, Edinho Silva; o coordenador-geral da pré-campanha de Lula, Gilberto Carvalho; e a tesoureira nacional do partido, Gleide Andrade.
O objetivo oficial é promover debates sobre fé, democracia, inclusão social e participação política, reforçando a aproximação entre o partido e movimentos ligados à Igreja Católica.
Após diálogo com evangélicos, foco agora recai sobre católicos
A agenda desta semana dá continuidade a um movimento iniciado no começo de junho, quando Janja participou do Encontro Nacional de Evangélicos do PT.
Na ocasião, a primeira-dama respondeu diretamente às críticas feitas pelo pastor Silas Malafaia, que havia minimizado as reuniões promovidas por ela com mulheres evangélicas, afirmando que os encontros reuniam pessoas sem representatividade dentro desse segmento religioso.
Janja rebateu dizendo que considera importante ouvir todas as mulheres, independentemente do número de participantes ou da influência pública de cada uma.
Segundo ela, o mais importante é estabelecer diálogo e criar espaços de escuta.
A religião volta ao centro da disputa política
O fortalecimento dessa agenda confirma que a religião continuará sendo um dos principais temas da campanha presidencial de 2026.
Depois de anos marcados por disputas em torno dos votos do eleitorado evangélico, o PT agora amplia sua atuação também entre os católicos, numa tentativa de construir pontes com segmentos que, historicamente, demonstraram maior resistência ao projeto político do partido.
A ironia percebida por parte dos analistas políticos está justamente no calendário. Após anos de críticas e distanciamento de parcelas expressivas do eleitorado religioso, a fé parece ter ganhado um espaço privilegiado na agenda petista exatamente quando a corrida eleitoral começa a ganhar forma. Para aliados, trata-se de ampliar o diálogo; para críticos, a mudança de tom às vésperas da eleição inevitavelmente alimenta questionamentos sobre a motivação e o momento dessa aproximação.