
“Pânico, preces e coragem: os relatos que emergem da tragédia no Texas”
Sobreviventes das enchentes contam como lutaram para salvar suas vidas e de outros em meio ao caos das águas que devastaram a região central do estado.
Na madrugada da última sexta-feira (4), uma tempestade violenta desencadeou enchentes repentinas no coração do Texas, nos Estados Unidos. Rios transbordaram com fúria, invadindo ruas, casas e estruturas públicas. Milhares de pessoas precisaram ser evacuadas às pressas. Até esta segunda-feira (7), autoridades confirmaram mais de 80 mortos.
A seguir, alguns relatos marcantes de quem escapou por pouco dessa tragédia natural.
Refúgio no telhado
Uma família com 33 pessoas, de Austin, que passava férias em Hunt, no condado de Kerr, sobreviveu ao se abrigar no telhado de um hotel. Segundo a emissora local KPRC, o rio Guadalupe subiu mais de oito metros em menos de uma hora, invadindo os quartos em questão de minutos.
“Foi quando começamos a bater de porta em porta, tentando avisar o máximo de gente possível. Saímos puxando e empurrando as pessoas para fora”, contou David Fry, integrante da família.
Sem alternativas, cercados pela água e com carros sendo arrastados, todos ajudaram uns aos outros a escalar até o topo do prédio. Felizmente, todos sobreviveram. “Foi por um triz”, desabafou Fry.
A fuga com dois cães e um caiaque
Diana Smith também enfrentou o desespero. Quando a água invadiu sua casa, ligou para o serviço de emergência, mas ninguém atendeu. “Gritei: ‘Meu Deus, não sei o que fazer’”, contou à KPRC.
Ao abrir a porta, o vento levou seus dois cães para direções opostas. Em pânico e sem saber para onde correr, ela apenas rezou enquanto tentava manter-se firme no alpendre. No fim, conseguiu colocar os animais em um caiaque e remar até uma área segura.
As últimas palavras de amor
RJ Harber e sua esposa Annie acordaram durante a madrugada com os barulhos das enchentes e correram para avisar os vizinhos. Conseguiram alertar diversas famílias que ainda dormiam.
Depois, RJ tentou chegar até a cabana onde estavam seus pais e suas duas filhas pequenas. Porém, uma construção arrancada pela força da água bloqueou sua passagem.
Minutos antes da tragédia, ele recebeu uma mensagem das filhas dizendo: “Te amo”. Os corpos de Blair, de 13 anos, e Brooke, de 11, foram encontrados de mãos dadas, segurando terços, cerca de 20 km longe da cabana. Os avós permaneciam desaparecidos até a noite de domingo.
Um herói em sua primeira missão
Kristi Noem, secretária de Segurança Nacional dos EUA, homenageou o nadador da Guarda Costeira, Scott Ruskan, em uma publicação na rede X. Segundo ela, o jovem salvou diretamente 165 pessoas em sua primeira missão de resgate.
Na madrugada de 4 de julho, Ruskan chegou ao Camp Mystic — um acampamento cristão arrasado pelas águas — e ajudou a organizar um ponto de apoio improvisado, coordenando helicópteros e dando suporte emocional às vítimas.
“Qualquer um dos meus colegas teria feito o mesmo”, disse o militar, dedicando a ação às equipes de resgate em terra e aos pilotos que atuaram na operação.
A tragédia no Texas escancarou a força implacável da natureza, mas também revelou o instinto de proteção, fé e bravura que brota quando tudo parece perdido. Entre telhados, caiaques e mensagens de amor, sobreviventes carregam agora as marcas de um pesadelo que jamais esquecerão.