Decisão de Moraes amplia atrito entre Brasil e EUA e acirra resposta do governo Trump

Decisão de Moraes amplia atrito entre Brasil e EUA e acirra resposta do governo Trump

Advogado de Trump acusa STF de sabotar negociações diplomáticas e vê ordem contra Rumble como gatilho para crise ainda maior entre os países

A crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos acaba de ganhar um novo combustível. A plataforma de vídeos Rumble — rival conservadora do YouTube — e aliada do ex-presidente Donald Trump, decidiu acrescentar novos argumentos à ação judicial movida nos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo: uma ordem enviada por e-mail exigindo o bloqueio de contas na rede, incluindo a do comentarista Rodrigo Constantino, investigado por supostos ataques ao Estado Democrático de Direito.

Quem falou sobre isso foi o advogado Martin De Luca — que representa a Rumble e também Trump — durante entrevista nesta segunda-feira (14) ao programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo. Para ele, Moraes “dobrou a aposta” e levou o embate a outro patamar, expondo o STF como protagonista em uma crise que antes era apenas comercial.

Segundo De Luca, é grave o fato de não se saber se Moraes agiu por conta própria ou se está alinhado com o Palácio do Planalto e o Itamaraty. Em qualquer cenário, diz ele, a situação é alarmante: se a decisão foi isolada, o ministro estaria minando os esforços diplomáticos em torno da crise tarifária; se teve aval do governo, estaria indo na contramão de conversas que já teriam ocorrido entre Lula e Trump — ou ao menos entre seus representantes.

Outro ponto citado pelo advogado é que a conta de Rodrigo Constantino está inativa desde dezembro de 2023 e que o jornalista mora na Flórida. Isso tornaria ilegal, segundo ele, qualquer exigência do STF de repasse de dados, pois violaria as leis americanas.

Na visão de De Luca, esse tipo de medida só fortalece a resposta de Trump, que já anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como forma de retaliação. Para ele, o Judiciário brasileiro vem cometendo abusos há anos, mas só agora, com a nova gestão republicana, os EUA estariam prontos para reagir.

Ao comentar o vídeo recente em que Lula diz que levará jabuticabas aos EUA para negociar com Trump, De Luca minimizou o gesto, classificando-o como populismo para agradar a base petista. Segundo ele, o que realmente importa será o conteúdo das conversas reservadas entre os dois presidentes.

Enquanto isso, o imbróglio jurídico vai ganhando contornos geopolíticos — e a conta, como sempre, pode recair sobre a diplomacia brasileira.

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