
Defesa de Bolsonaro pede extensão da prisão domiciliar e destaca quadro de saúde ainda delicado
Advogados afirmam que ex-presidente continua necessitando de acompanhamento médico permanente; decisão ficará nas mãos de Alexandre de Moraes
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para prorrogar a prisão domiciliar humanitária concedida em março deste ano. O prazo da medida termina nesta quinta-feira (25), e a decisão sobre a continuidade do benefício caberá ao ministro Alexandre de Moraes.
Segundo os advogados, embora Bolsonaro tenha apresentado evolução positiva nos últimos meses, o quadro clínico ainda exige cuidados constantes, acompanhamento especializado e monitoramento frequente, fatores que justificariam a manutenção do regime domiciliar.
Defesa sustenta que recuperação ainda não foi concluída
No documento enviado ao STF, a equipe jurídica argumenta que a melhora registrada desde março não significa que os problemas de saúde tenham sido totalmente superados. Pelo contrário, os advogados afirmam que a estabilidade atual é resultado justamente do tratamento intensivo realizado durante o período em que Bolsonaro permaneceu em casa sob supervisão médica.
De acordo com a petição, o ex-presidente continua submetido a fisioterapia regular, uso contínuo de medicamentos e avaliações médicas periódicas para controlar uma série de condições clínicas que ainda inspiram atenção.
Entre os problemas apontados pelos médicos estão:
- Esofagite erosiva;
- Gastrite crônica;
- Refluxo gastroesofágico;
- Episódios recorrentes de soluços;
- Histórico recente de pneumonia broncoaspirativa.
A defesa afirma que essas condições aumentam os riscos de complicações e exigem vigilância constante por parte da equipe médica.
Relatório médico aponta riscos que permanecem
O pedido de prorrogação foi acompanhado por um relatório médico atualizado, elaborado em 22 de junho. Segundo o documento, Bolsonaro apresenta quadro estável, mas ainda enfrenta fatores que exigem acompanhamento especializado.
Os médicos destacam preocupações relacionadas a:
- Risco elevado de quedas;
- Necessidade de monitoramento cardiovascular;
- Vigilância respiratória contínua;
- Possibilidade de novos episódios de broncoaspiração;
- Continuidade do tratamento fisioterápico.
A avaliação médica conclui que o ambiente domiciliar oferece condições mais adequadas para garantir a adesão ao tratamento e reduzir riscos de agravamento da saúde.
Segundo os especialistas responsáveis pelo acompanhamento do ex-presidente, a manutenção da prisão domiciliar contribui significativamente para evitar complicações clínicas potencialmente graves.
Moraes poderá ouvir a PGR antes da decisão
Antes de decidir sobre o pedido, Alexandre de Moraes poderá solicitar manifestação da Procuradoria-Geral da República, repetindo o procedimento adotado quando autorizou a prisão domiciliar pela primeira vez.
A defesa também apresentou uma alternativa: caso o ministro considere necessário, pede a realização de uma perícia médica oficial para reavaliar o estado de saúde de Bolsonaro. Nesse cenário, os advogados solicitam que o benefício seja mantido até a conclusão dos exames.
Caso da arma apreendida pode influenciar análise
Além da questão médica, outro episódio recente entrou no radar do STF.
Uma pistola Glock calibre 9 mm registrada em nome de Bolsonaro foi apreendida durante uma abordagem policial no Distrito Federal enquanto era transportada para manutenção, segundo informações apresentadas à investigação.
O caso está sendo apurado pela Polícia Civil do Distrito Federal e já chegou ao conhecimento de Moraes, que determinou prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República.
O ministro pretende avaliar se a posse do armamento durante o período de prisão domiciliar pode configurar eventual infração às regras impostas ao ex-presidente.
A defesa, por sua vez, sustenta que a arma está legalmente registrada e que não existia determinação judicial exigindo sua entrega ou cancelamento do registro.
Condenação mantém Bolsonaro sob restrições
Bolsonaro cumpre pena após condenação relacionada aos processos envolvendo a tentativa de ruptura institucional e atos antidemocráticos. Desde que recebeu autorização para cumprir a pena em casa, permanece submetido a uma série de restrições determinadas pelo STF.
Entre elas estão:
- Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
- Restrições de comunicação;
- Fiscalização permanente do cumprimento das medidas impostas pela Justiça.
Agora, a expectativa gira em torno da decisão de Alexandre de Moraes, que deverá analisar tanto os argumentos médicos apresentados pela defesa quanto os desdobramentos da investigação envolvendo a arma apreendida.
A definição poderá determinar se Bolsonaro continuará em prisão domiciliar ou se haverá mudanças nas condições atuais de cumprimento da pena.