
Deolane Bezerra teria recebido tratamento diferenciado em presídio de SP; sindicato denuncia “regalias” e SAP nega irregularidades
Caso levanta debate sobre prerrogativas da advocacia, condições no sistema prisional e denúncias de privilégios
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro de uma nova polêmica após denúncias de supostas regalias durante o período em que esteve custodiada na Penitenciária Feminina de Santana, em São Paulo.
Segundo o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo, a passageira permanência da influenciadora na unidade teria contado com estrutura diferenciada em relação às demais detentas, o que motivou comunicação formal à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
Sindicato aponta “tratamento especial” durante permanência na unidade
De acordo com a denúncia, Deolane teria ficado cerca de 15 horas no presídio e, nesse período, teria sido acomodada em uma sala preparada com estrutura superior ao padrão da unidade.
Entre os pontos citados estão:
- cama de ferro com colchão
- chuveiro quente instalado exclusivamente no local
- alimentação diferenciada
- isolamento das demais internas
Representantes do sindicato chegaram a ironizar o tratamento, afirmando que “só faltou o tapete vermelho”, em crítica ao que consideram um possível privilégio indevido.
SAP afirma cumprimento de decisão judicial e prerrogativas da advocacia
Em resposta, a Secretaria da Administração Penitenciária informou que a custódia seguiu estritamente determinações judiciais.
Segundo a pasta, a alocação ocorreu com base no entendimento de que a investigada possui registro ativo como advogada, o que garante prerrogativas previstas no Estatuto da Advocacia.
A legislação brasileira determina que profissionais da advocacia, quando presos preventivamente, devem ser mantidos em sala de Estado-Maior ou local equivalente, separados dos demais detentos.
OAB acompanha caso e reforça prerrogativas legais
A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo) acompanhou a prisão e a audiência de custódia.
Em nota, a instituição reforçou que sua atuação tem como objetivo garantir o cumprimento das prerrogativas profissionais, e não a concessão de privilégios pessoais.
Denúncia gera debate sobre igualdade no sistema prisional
A principal crítica feita por agentes penitenciários é a percepção de tratamento desigual em relação a outras detentas, especialmente no acesso a estrutura básica dentro da unidade.
Relatos apontam que adaptações teriam sido feitas antes da chegada da custodiada, incluindo ajustes estruturais no ambiente.
Já defensores das prerrogativas da advocacia afirmam que a separação em sala especial não configura privilégio, mas cumprimento da lei.
Caso segue sem confirmação de irregularidades
Até o momento, a SAP não confirmou abertura de procedimento disciplinar específico sobre as denúncias feitas pelo sindicato.
A influenciadora, que também responde a investigações em outro inquérito, segue no centro de debates que envolvem sistema prisional, prerrogativas profissionais e o tratamento de figuras públicas em unidades de custódia.
O caso deve continuar sob análise das autoridades administrativas e pode gerar novos desdobramentos nos próximos dias.