
Desaprovação em alta: maioria dos fluminenses rejeita governo Lula e critica política de segurança
Pesquisa Quaest mostra que 64% dos moradores do Rio desaprovam o governo federal; fala de Lula sobre traficantes como “vítimas” piorou percepção
Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada neste domingo (2), mostra um cenário pouco animador para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, 64% dos fluminenses desaprovam o governo federal, enquanto 34% ainda demonstram apoio — números praticamente estáveis em relação ao mês de agosto.
Quando o foco é a segurança pública, a reprovação sobe ainda mais: seis em cada dez moradores avaliam negativamente a atuação do governo nessa área. Apenas 18% consideram a gestão positiva, e 22% dizem ser “regular”.
A insatisfação é mais forte entre os homens (65%) e entre os jovens de 16 a 30 anos (66%), grupo que mostra menor paciência com promessas não cumpridas. Entre os mais velhos, a crítica é mais branda — 47% dos que têm acima de 61 anos desaprovam o governo.
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, foi realizada entre os dias 30 e 31 de outubro, com 1.500 entrevistados em todo o estado. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Megaoperação e impacto político
O levantamento vem na esteira da megaoperação das polícias Civil e Militar, que terminou com 121 mortos, incluindo quatro policiais — o episódio mais letal da história fluminense. Apesar da enorme repercussão, conhecida por 98% dos entrevistados, o evento não mudou significativamente a imagem de Lula.
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, o presidente não foi nem punido nem recompensado pelo episódio:
“Se o governador Cláudio Castro se beneficiou com a operação, o presidente não teve sua imagem alterada. É possível que os efeitos positivos e negativos tenham se anulado”, avaliou Nunes.
A fala sobre traficantes que pegou mal
Outro ponto que pesou na percepção dos fluminenses foi a recente fala de Lula, em que o presidente afirmou que traficantes também são vítimas da sociedade. A declaração repercutiu mal: 60% dos entrevistados acreditam que o presidente realmente pensa dessa forma, enquanto apenas 33% enxergam a frase como um mal-entendido — justificativa usada por Lula depois da polêmica.
Para Nunes, a fala reforçou uma sensação de distanciamento entre o discurso do governo e a realidade das ruas:
“A população não comprou a ideia de que a declaração foi mal interpretada. Para a maioria, foi uma opinião sincera”, afirmou.