Dinamarca alerta que declarações de Trump sobre a Groenlândia devem ser tratadas com seriedade

Dinamarca alerta que declarações de Trump sobre a Groenlândia devem ser tratadas com seriedade

Primeira-ministra reforça que a ilha não quer integrar os Estados Unidos e recebe apoio de líderes europeus

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta segunda-feira (5) que as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o interesse em assumir o controle da Groenlândia não podem ser ignoradas. Segundo ela, o governo dinamarquês leva a sério as falas do líder americano, embora reforce que a ilha não deseja fazer parte dos EUA.

A manifestação ocorre em meio a um clima de preocupação na Europa, reacendido após a recente operação militar norte-americana na Venezuela. Para autoridades dinamarquesas, o episódio levantou temores de que territórios estratégicos, como a Groenlândia — região autônoma sob soberania da Dinamarca — possam entrar no radar de ações mais agressivas de Washington.

Trump voltou a defender publicamente a incorporação da Groenlândia, alegando razões estratégicas. Em entrevista recente, afirmou que o território é essencial para a defesa dos Estados Unidos e indicou que o tema será retomado nas próximas semanas. A posição gerou reações imediatas em Copenhague.

“Infelizmente, acredito que o presidente dos Estados Unidos deve ser levado a sério quando fala sobre a Groenlândia”, declarou Frederiksen à emissora pública dinamarquesa. Ela destacou que a posição do Reino da Dinamarca é clara e que os próprios groenlandeses já deixaram evidente que não pretendem se tornar parte dos EUA.

A Groenlândia, maior ilha do mundo, tem cerca de 57 mil habitantes. Embora não seja membro independente da Otan, está protegida pela aliança por meio da Dinamarca. Frederiksen ressaltou que qualquer ataque a um país membro da Otan teria consequências graves para a estabilidade internacional.

No mês passado, Trump nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial para a Groenlândia. Landry já manifestou apoio à ideia de anexação, o que aumentou o desconforto entre líderes europeus.

A importância estratégica da ilha — localizada entre a América do Norte e a Europa — e suas vastas reservas minerais explicam o interesse americano, especialmente diante da tentativa de reduzir a dependência de recursos provenientes da China.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, reagiu de forma direta às declarações de Trump, afirmando nas redes sociais: “Já basta. Chega de fantasias sobre anexação”.

Diversos líderes europeus saíram em defesa da Dinamarca e da Groenlândia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o futuro da ilha deve ser decidido exclusivamente por seu povo. A Alemanha sugeriu discutir o fortalecimento da proteção da região dentro da Otan, enquanto a França e a União Europeia reforçaram o princípio da soberania nacional.

O episódio evidencia o aumento das tensões geopolíticas no Ártico e reforça o recado europeu: a Groenlândia não está à venda e seu destino cabe apenas aos groenlandeses.

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