
Enquanto corta no Bolsa Família, o governo afunda R$ 71,7 milhões em cabines de cruzeiro para a COP30
Entre novos impostos, tarifas e aperto no bolso do povo, Brasília encontra dinheiro de sobra para luxo flutuante — porque responsabilidade social não navega no mesmo barco da conferência
O governo Lula não tem dinheiro para reajustar o Bolsa Família. Não tem dinheiro para aliviar o peso de novos impostos. Não tem dinheiro para impedir o aumento de tarifas que esmagam quem vive do básico.
Mas para reservar R$ 71,7 milhões em cabines de navios de cruzeiro para a COP30… aí, milagrosamente, o cofre se abre. Como por encanto.
Foram 850 cabines contratadas — quase uma cidade flutuante — atracadas em Belém para abrigar participantes do evento. Pelo acordo com a ONU, o Brasil só precisava garantir 450 cabines, o equivalente a R$ 26,3 milhões, para delegações estrangeiras. Mas o governo decidiu ir além e contratou mais 400 cabines para a própria comitiva brasileira, acrescentando R$ 45,4 milhões à conta.
Sim: enquanto fala em “responsabilidade fiscal”, o governo torra dinheiro com suítes marítimas.
A Secop30 ainda disse ao Poder360 que o valor final pode mudar — para mais, é claro — porque tudo depende das cabines que ficarem vazias. Ou seja: se o governo não conseguir repassar essas vagas para compradores, a conta cai toda no colo do contribuinte.
A Embratur organizou a contratação, e a operadora Qualitours ficou responsável pelos navios MSC Seaview e Costa Diadema. O dinheiro, no entanto, só sai de fato no fim da conferência — mas sairá. E sairá pesado.
Enquanto isso, o discurso oficial tenta vender a ideia de que tudo isso é “infraestrutura necessária” para evitar sobrecarga da rede hoteleira local. Como se não existissem alternativas, como se não houvesse planejamento possível, como se o único caminho fosse transformar a COP30 num resort itinerante de luxo pago com dinheiro público.
Nas redes sociais, a revolta cresce. É difícil pedir que o povo entenda cortes, apertos e novos impostos quando vê o governo despejando milhões em cabines de navio.
Difícil justificar a criação de mais taxas enquanto famílias perdem renda.
Difícil falar de “compromisso social” enquanto se gasta como quem nunca ouviu falar em prioridades.
É a velha política navegando em mar de gastos — enquanto o cidadão, do outro lado, tenta remar para sobreviver.