
Diretor da PF pede verba e troca farpas com deputados em audiência tensa na Câmara
Andrei Rodrigues solicita emendas parlamentares para a PF e enfrenta críticas de bolsonaristas durante sessão; discussão descamba para acusações e ironias
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, foi ao centro de uma confusão nesta quarta-feira (9) durante sua participação na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados. Diante de parlamentares majoritariamente bolsonaristas, Andrei aproveitou a fala para pedir que os deputados destinem emendas parlamentares para fortalecer a estrutura da PF — o que acabou inflamando os ânimos no plenário.
— Quero aproveitar esse espaço para pedir o apoio dos senhores com emendas parlamentares para nossa instituição, que também precisa desse respaldo. Agradeço desde já, com total transparência — declarou o diretor.
A fala não agradou parte da comissão. O presidente da sessão, deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), reagiu com ironia, afirmando que o colega Marcel Van Hattem (Novo-RS) destinaria R$ 25 milhões à PF. Van Hattem, por sua vez, rebateu em tom ácido:
— Só se a PF estivesse sob comando de gente séria.
A provocação gerou um bate-boca. O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), tentou intervir em defesa de Andrei, mas teve a palavra cortada por Bilynskyj, que conduzia a sessão. A tensão aumentou ainda mais quando Andrei lembrou que Van Hattem foi indiciado pela PF no ano passado após atacar delegados da instituição.
— A lei será cumprida em todos os casos. O controle é externo, e quem decide não sou eu, nem Vossa Excelência, é o Poder Judiciário — respondeu o diretor.
Além das discussões políticas, Andrei também comentou sobre a operação da PF que teve como alvo o deputado Junior Mano (PSB-CE), investigado por supostos desvios de recursos públicos via fraudes em licitações. Segundo a PF, os contratos fraudados foram abastecidos com emendas indicadas pelo próprio parlamentar. O deputado nega as acusações.
— Ontem mesmo realizamos uma operação aqui na Câmara contra um deputado de partido da base do governo. Assim como já investigamos parlamentares sem qualquer vínculo político. Para nós, não há preferência — afirmou Andrei, negando motivação política nas ações da Polícia Federal.
A audiência, que deveria servir como espaço de diálogo institucional, acabou se tornando mais um palco de confronto entre governo e oposição, expondo o clima cada vez mais polarizado no Congresso.