Do “Gabinete do Ódio” ao “Gabinete do Amor”: PT monta rede digital para defender Lula nas redes

Do “Gabinete do Ódio” ao “Gabinete do Amor”: PT monta rede digital para defender Lula nas redes

Com site de cadastro e campanha orquestrada, partido tenta retomar o controle da narrativa online, chamando influenciadores para espalhar o discurso governista em meio à crise de popularidade.

Em tempos de baixa aprovação e desgaste político, o PT decidiu contra-atacar no campo onde vem levando surra: a internet. Nesta quarta-feira (2), o partido lançou uma nova plataforma digital voltada a influenciadores que simpatizam com o governo Lula. O site, chamado Influenciadores com Lula, quer reunir criadores de conteúdo dispostos a defender as pautas do Planalto nas redes sociais.

Nos bastidores, a iniciativa já ganhou apelido: “gabinete do amor” — uma ironia direta ao “gabinete do ódio” atribuído ao bolsonarismo. A proposta é simples: reunir perfis pró-governo, alinhar o discurso e mobilizar a militância digital para sair do sufoco online. Afinal, a direita continua reinando no território das hashtags e dos virais, enquanto a esquerda tenta correr atrás do prejuízo.

O lançamento da plataforma aconteceu durante uma videoconferência entre dirigentes do PT e produtores de conteúdo. Participaram nomes como o senador Humberto Costa, o deputado Jilmar Tatto e o presidente da Fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto.

No site, o partido pede dados como nome, cidade, redes sociais e formas de colaboração. Os inscritos podem escolher entre divulgar conteúdos, criar material próprio, representar o partido em sua cidade, organizar eventos ou liderar equipes regionais. Depois do cadastro, o participante é direcionado a um grupo de WhatsApp que, até o momento da publicação, já contava com mais de 200 membros.

A jogada digital vem embalada por uma nova campanha do governo: a chamada “Taxação BBB”, que defende cobrar impostos de bilionários, bancos e casas de apostas — uma tentativa de rebalancear o discurso de justiça social e de viabilizar a promessa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

Mas a estratégia não passa despercebida por quem lembra do histórico do próprio PT. O partido que tanto criticou a organização digital da direita — acusando-a de espalhar fake news, manipular o debate e operar milícias virtuais — agora aposta numa tática parecida, só que com verniz institucional. Em vez de bots e memes anônimos, agora há cadastro oficial, nome, e-mail e missão definida.

No fundo, é a mesma guerra de narrativas. Só mudou o uniforme.

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