
Do TikTok à mira da PF: o “prefeito influenciador” de Sorocaba vira alvo de investigação por corrupção
Rodrigo Manga, reeleito em 2024 e famoso por vídeos chamativos nas redes, é apontado pela Polícia Federal como líder de uma organização criminosa que desviava dinheiro da saúde.
A trajetória de Rodrigo Manga (Republicanos) parecia saída de um roteiro de marketing político moderno: de vendedor de carros a “prefeito tiktoker”, ele construiu fama e popularidade com vídeos engraçados, slogans otimistas e uma imagem de gestor “próximo do povo”. Mas, agora, o roteiro ganhou um novo e sombrio capítulo — com a Polícia Federal apontando o prefeito de Sorocaba como líder de uma organização criminosa.
A Operação Copia e Cola, deflagrada pela PF, investiga um esquema de corrupção e desvio de recursos públicos na área da saúde. Segundo o relatório, Manga teria se beneficiado diretamente de contratos fraudulentos, o que levou ao seu afastamento do cargo por 180 dias.
Ironia das ironias: enquanto o prefeito dizia nas redes “vem morar em Sorocaba, a melhor cidade do Brasil”, a PF descobria um rastro de contratos suspeitos, notas frias e quase R$ 1 milhão em dinheiro vivo apreendidos durante as buscas.
O influenciador da política
Manga construiu sua imagem com bordões e vídeos virais — o “prefeito do povo” que falava sem filtro, dançava nas obras e se promovia como símbolo de modernidade. O problema é que, segundo as investigações, parte dessa produção envolvia servidores públicos pagos com dinheiro da prefeitura.
Com mais de 7 milhões de seguidores nas redes, ele transformou o marketing em arma política, mas também em alvo de suspeitas. O Ministério Público já apura o uso de comissionados na gravação dos vídeos e a disseminação de desinformação para autopromoção.
Escândalos acumulados
A carreira meteórica de Manga já vinha marcada por polêmicas. O Ministério Público havia pedido o bloqueio de seus bens em 2023 por suspeita de superfaturamento em kits de robótica e por uma compra milionária de prédio com valor acima do mercado. Agora, as acusações da PF completam o que parece ser um roteiro de poder, vaidade e corrupção.
Entre os presos na nova fase da operação estão Marco Silva Mott, amigo pessoal do prefeito e suposto lobista, e a irmã da primeira-dama, apontada como participante do esquema de lavagem de dinheiro.
A defesa e o velho discurso
A defesa de Rodrigo Manga chamou a investigação de “ilegal” e “perseguição política”. O prefeito afastado insiste em dizer que tudo não passa de “injustas ilações” — expressão que soa tão repetida quanto suas dancinhas de campanha.
Enquanto isso, Sorocaba assiste ao desmonte da imagem de um líder que parecia encarnar a “nova política”, mas que agora enfrenta as mesmas acusações que prometeu combater.
No fim, o “prefeito tiktoker” que sonhava em viralizar pelo carisma acabou viralizando por outro motivo: por transformar a prefeitura em palco de investigação policial.