Dois pesos, duas medidas: a PGR que aperta de um lado e alivia do outro

Dois pesos, duas medidas: a PGR que aperta de um lado e alivia do outro

Indicada por Lula e alinhada a Moraes, Procuradoria endurece com Bolsonaro, mas faz acordo quando o aliado confessa rachadinha

A Procuradoria-Geral da República voltou a mostrar que, no Brasil atual, a régua da Justiça parece ter calibragem seletiva. Nesta sexta-feira (20), o órgão se manifestou contra o pedido de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo diante de um laudo médico que aponta um rosário de problemas de saúde e alerta para riscos reais à integridade física do detento.

No papel, o argumento é técnico: segundo a PGR, o local onde Bolsonaro está preso dispõe de atendimento médico 24 horas, equipe de emergência e estrutura suficiente para tratar hipertensão, apneia grave, obesidade, aterosclerose e outras complicações. Para o órgão, nada mudou desde negativas anteriores, e portanto não haveria motivo para flexibilizar o regime.

Até aí, o discurso é de rigor. O problema começa quando se olha para o lado.

O comando da PGR está nas mãos de Paulo Gonet, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atuando em sintonia fina com o ministro Alexandre de Moraes. E é justamente aí que a contradição grita.

Enquanto a Procuradoria adota a linha dura contra Bolsonaro — condenado por tentativa de golpe —, no caso do deputado André Janones, que admitiu envolvimento em esquema de rachadinha, o tom foi outro. Nada de cruzada moral, nada de punição exemplar. Pelo contrário: a PGR se mostrou favorável a um acordo, evitando a condenação e tratando o caso com luvas de seda.

A pergunta que fica no ar é simples e incômoda: por que a severidade máxima para uns e a porta de saída negociada para outros?

A sensação é a de que a PGR virou um puxadinho institucional do governo Lula, onde o discurso de legalidade muda conforme o personagem envolvido. Para adversários políticos, todo o peso da lei. Para aliados, compreensão, negociação e conveniência.

No documento enviado ao STF, a Procuradoria cita jurisprudência, estrutura carcerária e precedentes para negar a domiciliar a Bolsonaro. Mas essa mesma rigidez desaparece quando o investigado confessa irregularidades e, ainda assim, recebe a chance de um acordo salvador.

Não se trata aqui de inocentar ninguém, nem de ignorar crimes. Trata-se de coerência. Justiça que escolhe alvo perde o nome e vira instrumento político. E quando o órgão máximo de acusação do país passa a agir conforme o CPF — ou o partido —, o que se vê não é fortalecimento das instituições, mas a corrosão silenciosa da credibilidade.

No fim, a mensagem é clara: no Brasil de hoje, a lei até é igual para todos… mas alguns são mais iguais do que outros.

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