Douglas Ruas será declarado novo governador do Rio de Janeiro após decisão do TSE

Douglas Ruas será declarado novo governador do Rio de Janeiro após decisão do TSE

TSE anula 274.411 votos de Anthony Garotinho, determina nova totalização e abre caminho para Douglas Ruas ultrapassar 50% dos votos válidos e ser oficialmente proclamado governador do Rio ainda no primeiro turno

O Rio de Janeiro terá um novo governador sem a necessidade de segundo turno. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, por 5 votos a 2, manter o indeferimento do registro de candidatura de Anthony Garotinho e determinar a anulação dos 274.411 votos recebidos pelo ex-governador na eleição do último domingo.

Com a retirada desses votos da base de cálculo dos votos válidos, o candidato Douglas Ruas (PL) ultrapassa a marca de 50% e passa a ser o governador eleito do Rio de Janeiro no primeiro turno. A formalização do resultado ainda depende da retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

Na apuração inicial, Douglas Ruas havia terminado na primeira colocação com 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27%, enquanto Eduardo Paes (PSD) alcançou 3.706.984 votos, ou 42,76%. Garotinho havia recebido 274.411 votos, correspondentes a 3,17% da votação válida inicialmente contabilizada.

A retirada da votação de Garotinho muda matematicamente o resultado porque esses votos deixam de integrar a base utilizada para calcular a maioria absoluta necessária à vitória no primeiro turno. Segundo a Agência Brasil, com a nova totalização, Ruas supera os 50% dos votos válidos por aproximadamente 74 mil votos.

Decisão do TSE

O julgamento foi conduzido pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do caso. Ele foi acompanhado pela ministra Estela Aranha e pelos ministros André Mendonça, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, formando a maioria de cinco votos.

Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva e Sebastião Reis Júnior apresentaram divergência e defenderam a manutenção dos votos de Garotinho no cálculo do primeiro turno.

A discussão envolvia justamente uma questão decisiva: se os votos recebidos por um candidato cujo registro foi indeferido poderiam continuar sendo considerados válidos para determinar a necessidade de um segundo turno.

Prevaleceu o entendimento de que Garotinho não possuía condições jurídicas para disputar a eleição, razão pela qual seus votos não poderiam permanecer na contagem dos votos válidos.

Por que Garotinho teve a candidatura rejeitada?

O registro de Anthony Garotinho havia sido negado pelo TRE-RJ em razão de uma condenação por improbidade administrativa, que resultou na suspensão de seus direitos políticos.

A condenação está relacionada a fatos ocorridos durante o período em que Garotinho ocupava a Secretaria de Governo do Rio, durante a administração de sua esposa, Rosinha Matheus. A Justiça Eleitoral entendeu que ainda havia impedimento jurídico para sua candidatura em 2026.

Garotinho recorreu ao TSE, mas, depois da votação do primeiro turno, sua defesa apresentou pedido de desistência do recurso. O TSE, entretanto, decidiu analisar o processo mesmo assim e manteve o indeferimento do registro.

Com isso, os votos foram definitivamente retirados da contagem para efeito de definição do vencedor.

O que muda para Douglas Ruas

A consequência prática é direta: Douglas Ruas deixa de disputar um segundo turno e passa a ser o candidato que deverá ser proclamado governador eleito do Rio de Janeiro depois da nova totalização.

O TRE-RJ terá de recalcular os percentuais, excluindo os votos de Garotinho. Feito esse procedimento, Ruas ultrapassará a maioria absoluta exigida para uma vitória em primeiro turno.

A eleição, portanto, que inicialmente parecia encaminhada para uma nova disputa entre Douglas Ruas e Eduardo Paes, muda completamente de configuração após a decisão do TSE.

Eduardo Paes fica fora da disputa pelo governo

Eduardo Paes havia terminado o primeiro turno em segundo lugar e se preparava para enfrentar Ruas no segundo turno.

Com a anulação dos votos de Garotinho, porém, o cenário deixa de existir: não haverá segundo turno para o governo estadual, caso o TRE-RJ conclua a retotalização conforme determinado pelo TSE.

Paes ainda anunciou que pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar questionar a decisão e defender a realização do segundo turno. Enquanto isso, a decisão do TSE permanece válida e determina a retotalização.

Uma eleição que mudou depois das urnas

O caso do Rio de Janeiro entra para a história das eleições de 2026 justamente porque o resultado inicialmente apresentado pelas urnas não será o resultado final proclamado pela Justiça Eleitoral.

No domingo, Ruas tinha 49,27% e, portanto, não alcançava sozinho a maioria absoluta. A presença dos votos de Garotinho mantinha matematicamente a necessidade de um segundo turno.

Com a decisão desta quinta-feira, os 274.411 votos de Garotinho deixam de ser considerados votos válidos, reduzindo a base de cálculo e elevando a participação proporcional de Ruas para acima dos 50%.

O episódio também evidencia a importância das decisões judiciais sobre registros de candidatura e sobre a forma de contabilização dos votos. A divergência entre os ministros mostrou que havia uma questão jurídica relevante em discussão: dois ministros entenderam que os votos deveriam permanecer considerados para preservar o resultado produzido no momento da votação, enquanto a maioria concluiu que a situação jurídica do candidato impedia que esses votos fossem utilizados para definir a necessidade de segundo turno.

Douglas Ruas diante de um novo desafio

Com a confirmação formal pelo TRE-RJ, Douglas Ruas assumirá o comando do Estado do Rio de Janeiro para o próximo mandato.

Sua chegada ao Palácio Guanabara representa também a continuidade de uma força política que ganhou espaço nas eleições de 2026 no estado. Ruas, candidato do PL, havia terminado a votação em primeiro lugar e agora será beneficiado diretamente pela nova totalização determinada pelo TSE.

O resultado, porém, ainda precisa cumprir a etapa formal: o TRE-RJ deverá retotalizar os votos e proclamar oficialmente o vencedor.

Assim, o Rio de Janeiro passa por uma reviravolta eleitoral poucas horas depois de uma disputa que parecia destinada ao segundo turno. A decisão do TSE retirou os votos de Anthony Garotinho da contagem, alterou a matemática da eleição e colocou Douglas Ruas no caminho da confirmação como novo governador do Estado do Rio de Janeiro, eleito ainda no primeiro turno.

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