
Eduarda Campopiano é denunciada ao MP após publicação sobre Erika Hilton
Deputada estadual eleita mais votada de São Paulo afirmou que a publicação foi uma provocação no contexto do debate político; representação apresentada ao Ministério Público acusa a parlamentar de transfobia e violência política de gênero
A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) tornou-se alvo de uma representação no Ministério Público de São Paulo após uma publicação nas redes sociais direcionada à deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP). O episódio ocorreu depois das eleições de 4 de outubro e rapidamente ganhou repercussão política.
Campopiano publicou uma mensagem dirigida a Erika Hilton na qual utilizou a expressão “homem biológico” e relacionou a declaração ao resultado eleitoral obtido pelas duas. A publicação questionava como Erika se sentia diante do fato de Campopiano ter sido a mulher mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo.
A manifestação provocou reação de setores da esquerda e levou a deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL-SP) a apresentar uma representação ao Ministério Público de São Paulo. O documento foi encaminhado ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP.
Representação pede investigação
Sofia Favero sustenta que a publicação pode configurar transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. A representação solicita que os fatos sejam investigados e que, caso sejam identificadas condutas criminosas, haja responsabilização.
É importante destacar, entretanto, que se trata de uma representação e de acusações que ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes. Não há, neste momento, condenação de Eduarda Campopiano pelos fatos.
A discussão jurídica deverá considerar o conteúdo integral da publicação, o contexto em que foi realizada e os limites entre crítica política, provocação, liberdade de expressão e eventuais condutas que possam configurar ilícito. O enquadramento jurídico definitivo cabe às autoridades responsáveis pela apuração.
Disputa eleitoral está no centro da polêmica
A publicação aconteceu após uma eleição na qual as duas parlamentares tiveram votações expressivas.
Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos e foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Erika Hilton, por sua vez, foi reeleita deputada federal com 1.596.472 votos, ficando atrás de Lucas Pavanato (PL), que recebeu 3.038.438 votos na disputa para a Câmara dos Deputados em São Paulo.
A comparação eleitoral foi justamente o elemento utilizado por Campopiano na publicação que provocou a reação.
O episódio, portanto, não surgiu isoladamente, mas dentro de uma disputa política marcada por fortes diferenças ideológicas entre os grupos representados pelas duas parlamentares.
Campopiano responde que foi uma provocação
Após a repercussão, Eduarda Campopiano afirmou que chamar Erika Hilton de “homem biológico” foi uma “manifestação provocativa realizada no contexto de debate político nas redes sociais”.
A declaração coloca a controvérsia no centro de uma discussão mais ampla sobre os limites da linguagem utilizada por políticos em disputas eleitorais e nas redes sociais.
De um lado, os autores da representação entendem que a publicação ultrapassou os limites da crítica política e atingiu a identidade de gênero de Erika Hilton. De outro, Campopiano caracteriza a manifestação como provocação dentro do debate político.
Caberá ao Ministério Público avaliar juridicamente o episódio.
Uma eleição que colocou Campopiano em evidência
A polêmica ocorre poucos dias depois de Campopiano conquistar uma votação expressiva para a Alesp.
Aos 23 anos, a parlamentar eleita pelo PL tornou-se a candidata mais votada para deputada estadual em São Paulo em 2026, com quase dois milhões de votos. Ela já havia exercido mandato de vereadora em Praia Grande e ganhou projeção nacional por meio das redes sociais e de manifestações políticas alinhadas ao campo conservador.
Sua atuação pública é marcada pela defesa de pautas conservadoras, incluindo posições contrárias ao aborto e críticas a movimentos e organizações ligados à esquerda.
A nova votação amplia consideravelmente seu espaço político e deverá levar Campopiano à Assembleia Legislativa a partir de 2027.
Erika Hilton também sai fortalecida das urnas
Erika Hilton também teve uma votação expressiva e garantiu sua reeleição para a Câmara dos Deputados.
O confronto entre as duas, portanto, não representa apenas uma discussão nas redes sociais. Ele também evidencia a polarização política existente em São Paulo e a presença de duas figuras de campos ideológicos opostos que conquistaram grande visibilidade eleitoral.
Enquanto Campopiano chega à Alesp com uma votação próxima de dois milhões de votos, Erika Hilton permanece no Congresso Nacional após conquistar mais de 1,5 milhão de votos.
A repercussão do episódio mostra como as redes sociais continuam funcionando como um dos principais palcos da disputa política brasileira.
O que acontece agora
A representação apresentada ao MPSP não significa, por si só, que Campopiano tenha sido condenada ou que exista uma decisão definitiva sobre eventual crime.
O Ministério Público deverá analisar os fatos e decidir quais providências são cabíveis. Caso entenda necessária uma investigação, poderá determinar ou requisitar as medidas previstas na legislação. A parlamentar também poderá apresentar sua versão e exercer seu direito de defesa.
O caso deverá continuar provocando debate sobre liberdade de expressão, identidade de gênero, crítica política e responsabilidade de agentes públicos nas redes sociais.
A controvérsia também demonstra uma característica cada vez mais presente na política brasileira: declarações feitas em poucos caracteres podem alcançar milhões de pessoas e rapidamente transformar uma disputa eleitoral em uma questão jurídica.
Por enquanto, o fato concreto é que Eduarda Campopiano foi eleita com 1.956.238 votos, publicou uma mensagem direcionada a Erika Hilton, recebeu uma representação no Ministério Público e afirma que sua manifestação teve caráter provocativo dentro do debate político. A eventual existência de responsabilidade criminal ou eleitoral ainda deverá ser analisada pelas autoridades competentes.