
Eduardo Bolsonaro reage a Zema e cita doação ligada à família Vorcaro em novo embate na direita
Filho de Jair Bolsonaro acusa governador mineiro de incoerência após críticas a Flávio Bolsonaro no caso Banco Master
A crise política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro e o escândalo do Banco Master provocou um novo confronto dentro da direita brasileira.
Nesta quinta-feira (14), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro partiu para o ataque contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, após críticas feitas por Zema ao envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.
O episódio amplia a tensão entre aliados conservadores que disputam espaço político de olho nas eleições presidenciais de 2026.
Eduardo cita doação milionária ao Partido Novo
A reação de Eduardo Bolsonaro aconteceu depois que Zema chamou de “imperdoável” o pedido de recursos feito por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
Em resposta, Eduardo publicou informações sobre uma doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Moura Vorcaro ao Partido Novo em Minas Gerais.
Segundo Eduardo, a crítica feita por Zema seria contraditória, já que integrantes ligados à família Vorcaro também teriam relações políticas e financeiras com o partido do governador mineiro.
Caso Banco Master aprofunda disputa política
O embate acontece em meio à repercussão das investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero.
A operação investiga suspeitas de vazamento de informações, lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e atuação de agentes públicos em favor de interesses ligados ao Banco Master.
Henrique Vorcaro foi preso durante uma nova fase da operação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
As investigações colocaram a família Vorcaro no centro de um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.
Flávio Bolsonaro virou alvo após vazamento de áudio
A crise começou após reportagem publicada pelo The Intercept Brasil divulgar áudios em que Flávio Bolsonaro aparece cobrando pagamentos de Daniel Vorcaro relacionados ao filme Dark Horse.
Segundo as informações divulgadas, o financiamento discutido poderia chegar a US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões.
Flávio afirma que buscava apenas patrocínio privado para a produção e nega qualquer irregularidade.
Zema endureceu discurso contra Flávio
Em vídeo publicado nas redes sociais, Romeu Zema criticou duramente o senador e afirmou que não é possível atacar práticas atribuídas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto aliados da direita enfrentam acusações semelhantes.
“É um tapa na cara dos brasileiros de bem”, afirmou Zema.
A fala gerou forte reação entre apoiadores do bolsonarismo, que passaram a acusar o governador mineiro de tentar se distanciar politicamente da família Bolsonaro para fortalecer sua própria pré-candidatura presidencial.
Disputa na direita cresce antes das eleições de 2026
Nos bastidores políticos, o episódio é visto como mais um sinal da disputa interna entre diferentes grupos da direita brasileira.
Enquanto Flávio Bolsonaro aparece como possível nome ligado ao núcleo bolsonarista para 2026, Romeu Zema tenta consolidar espaço como alternativa liberal e conservadora fora da influência direta da família Bolsonaro.
Analistas políticos avaliam que o caso Banco Master poderá influenciar alianças, estratégias eleitorais e disputas por liderança dentro do campo conservador nos próximos meses.
Caso também virou arma política da esquerda
A repercussão do caso também vem sendo explorada por setores ligados ao Partido dos Trabalhadores, que passaram a associar o escândalo financeiro ao bolsonarismo nas redes sociais e em articulações políticas.
Aliados da direita afirmam que adversários tentam usar o episódio para desgastar a oposição e confundir parte do eleitorado antes mesmo da conclusão das investigações oficiais.
Até o momento, não há acusação formal contra Flávio Bolsonaro relacionada ao financiamento do filme Dark Horse.