
Endividamento das famílias atinge recorde e acende alerta econômico no Brasil
Alta dos combustíveis e juros ainda elevados pressionam orçamento, mesmo com início da queda da Selic
O Brasil voltou a registrar um sinal preocupante na economia doméstica: o nível de famílias endividadas chegou a 80,4% em março de 2026, o maior índice já registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
O dado supera o recorde anterior, de fevereiro, e revela um cenário em que o orçamento das famílias segue cada vez mais apertado, mesmo com o início da redução da taxa básica de juros, a Selic.
Alívio ainda não chegou ao bolso da população
Apesar da recente queda dos juros, especialistas apontam que o impacto positivo ainda deve demorar a ser sentido no dia a dia. Isso porque fatores externos, como o aumento do preço do petróleo e tensões no Oriente Médio, continuam pressionando os custos no Brasil.
Esse efeito em cadeia atinge diretamente o consumidor: combustíveis mais caros elevam o custo do transporte e, consequentemente, encarecem produtos e serviços. O resultado é uma perda no poder de compra, levando muitas famílias a recorrerem ao crédito até para despesas básicas.
Dívidas crescem, mas inadimplência dá sinais de estabilidade
Mesmo com o aumento do endividamento, o percentual de contas em atraso ficou em 29,6%, mantendo estabilidade em relação ao mês anterior. Já o número de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas teve uma leve queda, chegando a 12,3%.
Outro dado que chama atenção é a percepção dos próprios consumidores: houve pequena redução no número de pessoas que se consideram “muito endividadas”, indicando uma leve melhora na sensação de controle financeiro — ainda que o cenário geral siga delicado.
Impacto varia entre faixas de renda
O crescimento das dívidas foi observado em todas as classes sociais, mas com comportamentos diferentes. Famílias de maior renda continuam utilizando crédito com mais frequência, enquanto as de menor renda enfrentam maior dificuldade diante da alta dos preços, especialmente de itens essenciais.
Esse grupo mais vulnerável acaba sendo o mais afetado por aumentos ligados à energia e combustíveis, o que amplia a pressão sobre o orçamento e dificulta a recuperação financeira.
Cenário exige atenção e planejamento
Diante desse quadro, economistas reforçam que a combinação entre juros ainda elevados, inflação persistente e instabilidade global cria um ambiente de incerteza. A tendência é que o endividamento continue alto até que medidas econômicas tenham efeito mais concreto na vida da população.
O momento, portanto, exige cautela tanto por parte das famílias quanto das políticas econômicas, já que o equilíbrio entre consumo, crédito e inflação será determinante para a recuperação do poder de compra no país.