
Entre Cannabis e Bastidores do Poder: empresa do “Careca do INSS” vira peça-chave em suspeita de repasses a Lulinha
Ex-funcionário aponta circulação de dinheiro no exterior por meio de empresa de maconha medicinal — mas nenhuma prova concreta foi apresentada à Polícia Federal
A história mistura política, negócios internacionais e uma empresa de maconha medicinal. Um ex-funcionário ligado ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, afirmou à Polícia Federal que supostos pagamentos ao filho mais velho do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teriam sido realizados fora do Brasil — e com ajuda de uma empresa operando no setor de cannabis.
Segundo ele, parte dos recursos teria circulado por uma filial da World Cannabis em Portugal, companhia administrada pelo Careca e por seu filho, com sede em Brasília e atuação em outros países.
Empresa ligada ao lobista entra na mira da investigação
O Careca do INSS está preso desde setembro, apontado como intermediário no pagamento de propina por associações de aposentados a servidores do INSS.
Agora, o foco se amplia para a rede de negócios mantida por ele, incluindo a empresa de maconha medicinal.
O ex-funcionário Edson Claro, que trabalhou na empresa em São Paulo, disse ter sido ameaçado pelo lobista e mencionou cifras milionárias: algo em torno de R$ 25 milhões e até uma suposta “mesada” de R$ 300 mil a Lulinha.
Mas, apesar do barulho, investigadores afirmam que Claro só apresentou relatos — e nenhuma prova documentada que confirme os repasses.
CPMI também recebeu relato, mas Lulinha não será convocado
As declarações do ex-funcionário chegaram à CPMI do INSS, onde ele se encontrou com o relator do colegiado, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e com o presidente da comissão, senador Carlos Vianna (Podemos-MG).
Após deixar a empresa durante as investigações da Operação Sem Desconto, Claro teria se reunido outras vezes com o lobista para tentar reaver bens que estariam sob posse dele.
Mesmo com as suspeitas, a CPMI rejeitou convocar Lulinha para explicações.
O pedido foi derrubado por 19 votos a 12.
Silêncio e expectativa
Nem Edson Claro, nem Lulinha — que agora vive em Madri — quiseram comentar o assunto.
A World Cannabis também não se manifestou.
E, enquanto as autoridades analisam o que é fato, o que é suposição e o que é disputa política, a história segue aberta — misturando maconha medicinal, acusações de propina e o eterno vaivém entre Brasília e os bastidores do poder.