Estudantes ocupam reitoria da USP em meio à greve nas estaduais paulistas | Tensão cresce no campus do Butantã

Movimento estudantil envolve USP, Unicamp e Unesp e pressiona reabertura de negociações sobre permanência e estrutura universitária

A tarde desta quinta-feira (7) foi marcada por tensão na Cidade Universitária, em São Paulo, quando estudantes da Universidade de São Paulo (USP) ocuparam o prédio da reitoria no campus Butantã, durante a greve que mobiliza também alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O ato aconteceu por volta das 16h e incluiu a derrubada do portão de entrada e de portas de vidro do edifício, segundo registros feitos no local. Cerca de 400 estudantes participaram da mobilização, que começou ainda pela manhã com concentração e acampamento em frente à reitoria.

De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE), a ocupação teve como objetivo pressionar a reabertura das negociações com a administração da USP, após o anúncio de encerramento da mesa de diálogo pela universidade no início da semana.

Reivindicações e clima de greve nas universidades paulistas

O movimento estudantil cobra principalmente melhorias nas condições de permanência, como aumento de bolsas, ampliação de auxílios, reestatização dos bandejões e reformas na infraestrutura dos campi.

Na USP, estudantes também denunciam problemas estruturais no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), incluindo falhas de manutenção, infiltrações, mofo e dificuldades em áreas comuns.

A greve, que já dura mais de três semanas, reúne estudantes das três universidades estaduais paulistas e se intensificou após sucessivos impasses nas negociações com as reitorias.

Posições da universidade e dos estudantes

Em nota, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP) da USP afirmou que repudia atos de depredação e classificou a invasão como incompatível com o ambiente acadêmico, defendendo o diálogo como forma legítima de resolução de conflitos.

Já o DCE contestou essa versão, afirmando que a ocupação ocorreu de forma pacífica e negando qualquer depredação. Segundo os estudantes, a ação foi uma resposta direta ao encerramento unilateral das negociações.

“Queremos a reabertura imediata da mesa de negociação”, afirmaram representantes do movimento, destacando que a principal demanda é a retomada do diálogo com a reitoria.

Segurança no campus e contexto da mobilização

Durante a ocupação, policiais militares acompanharam a movimentação à distância, sem registro de confronto direto. Apesar da entrada no prédio da reitoria, não houve relatos de feridos.

As universidades envolvidas afirmam manter canais de diálogo com representantes estudantis, mas ainda não há definição sobre a retomada oficial das negociações.

A situação segue em acompanhamento, em meio à pressão crescente por soluções estruturais e à ampliação do debate sobre permanência estudantil no ensino superior público paulista.

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