
Evento de Juliano Cazarré sobre masculinidade gera críticas de artistas e acende debate nas redes
“O Farol e a Forja” reúne nomes como Nelson Freitas e Ítalo Marsili, mas enfrenta forte reação de colegas como Paulo Betti e Elisa Lucinda
O anúncio do evento “O Farol e a Forja”, idealizado pelo ator Juliano Cazarré, provocou uma onda de reações no meio artístico e reacendeu discussões sobre o papel da masculinidade na sociedade atual.
Apresentado como “o maior encontro de homens do Brasil”, o projeto está previsto para acontecer em julho, em São Paulo, com uma programação voltada a temas como liderança, empreendedorismo, paternidade, saúde masculina e espiritualidade. Entre os participantes confirmados estão o ator Nelson Freitas e o psicólogo Ítalo Marsili.
A proposta, no entanto, não passou sem contestação. Nos comentários da publicação que divulgou o evento, artistas conhecidos manifestaram críticas contundentes. A atriz Marjorie Estiano afirmou que o discurso apresentado por Cazarré reproduz ideias que já circulam amplamente e que, segundo ela, contribuem para a violência contra mulheres.
O ator Paulo Betti ironizou o tom da divulgação, sugerindo excesso de autoexaltação, enquanto Claudia Abreu trouxe à tona o contexto de violência de gênero no país. Já a escritora e atriz Elisa Lucinda classificou a iniciativa como um “grande e preocupante delírio”.
Segundo Cazarré, o evento nasce como uma reação ao que ele enxerga como um enfraquecimento da figura masculina na sociedade contemporânea. Na divulgação, o ator cita dados sobre ausência paterna e defende que a falta de referências masculinas estaria cobrando um preço alto da sociedade.
A programação do encontro foi estruturada em três etapas: o primeiro dia dedicado à vida profissional e construção de legado; o segundo voltado à família, paternidade e hábitos; e o terceiro com foco espiritual, incluindo celebrações religiosas e momentos de oração, descritos como uma espécie de “batalha espiritual”.
Até o momento, Cazarré não respondeu publicamente às críticas. O episódio, no entanto, evidencia como temas ligados à masculinidade seguem sendo um terreno sensível — capaz de dividir opiniões e provocar reações intensas, especialmente quando colocados sob os holofotes do debate público.