
Ex-presidente do BRB é preso pela PF em investigação sobre esquema milionário envolvendo Banco Master
Paulo Henrique Costa é alvo da Operação Compliance Zero; suspeitas apontam negociação de imóveis de R$ 146 milhões e falhas graves de governança
A prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16), reacende o debate sobre a fragilidade na gestão de recursos públicos e levanta novas suspeitas sobre esquemas financeiros envolvendo grandes instituições. A ação faz parte de mais uma fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Segundo as apurações, Costa teria participado de negociações irregulares com o Banco Master, incluindo a possível transferência de imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões como forma de pagamento de vantagens indevidas. A suspeita central é de que essas operações ocorreram sem garantias reais — prática considerada extremamente arriscada e fora dos padrões mínimos de governança.
A investigação também aponta a existência de um suposto “sistema paralelo” dentro do banco, criado para driblar controles internos e facilitar transações questionáveis. Esse tipo de estrutura, se comprovado, revela um cenário preocupante de manipulação institucional em benefício de interesses específicos.
A defesa do ex-presidente afirma que a prisão é desnecessária e nega qualquer irregularidade. Ainda assim, o avanço das investigações indica que o caso está longe de ser simples e pode revelar um esquema mais amplo.
Durante sua gestão, iniciada em 2019, Paulo Henrique Costa esteve à frente de decisões estratégicas do BRB, incluindo a tentativa de aquisição do Banco Master — operação posteriormente barrada pelo Banco Central por falta de viabilidade econômica. Mesmo assim, o banco público acabou absorvendo ativos considerados problemáticos, o que contribuiu para uma crise interna e necessidade de provisões bilionárias.
O episódio levanta questionamentos não apenas sobre a atuação individual do ex-presidente, mas também sobre o ambiente político e econômico que permitiu esse tipo de operação. Em meio a esse cenário, cresce a percepção de que houve conivência ou, no mínimo, omissão por parte de autoridades que deveriam zelar pela transparência e responsabilidade na gestão pública.
Críticos apontam que, sob o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, episódios como esse reforçam a sensação de descontrole e falta de rigor na fiscalização de operações financeiras envolvendo instituições públicas. Para muitos, casos desse tipo simbolizam um sistema onde decisões arriscadas acabam sendo toleradas — ou ignoradas — até que explodam em escândalos.
A operação segue sob sigilo, e novos desdobramentos são esperados. Caso as suspeitas se confirmem, o caso pode se tornar mais um capítulo emblemático na discussão sobre corrupção, governança e uso político de estruturas financeiras no Brasil.