Projeto para proibir “cola rato” gera revolta e levanta debate sobre prioridades no Brasil

Projeto para proibir “cola rato” gera revolta e levanta debate sobre prioridades no Brasil

Proposta da deputada Duda Salabert busca banir armadilhas para roedores enquanto violência contra mulheres segue alarmante no país

A apresentação de um projeto de lei para proibir a venda de armadilhas conhecidas como “cola rato” em todo o Brasil reacendeu um debate que vai muito além do bem-estar animal: a definição de prioridades no país. A proposta, de autoria da deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG), tem como objetivo banir o uso do método, considerado cruel por manter roedores presos por longos períodos até a morte.

Segundo a parlamentar, o dispositivo provoca sofrimento extremo, já que os animais ficam imobilizados por horas ou até dias, podendo morrer por exaustão, fome ou infecção. Além disso, ela argumenta que o método pode representar risco sanitário, uma vez que os animais presos acabam urinando e defecando no local, potencialmente espalhando doenças.

Outro ponto levantado no projeto é a falta de seletividade da armadilha, que pode atingir não apenas ratos, mas também aves e pequenos animais domésticos, ampliando os riscos ambientais e de contaminação.

Apesar das justificativas apresentadas, a proposta tem gerado forte reação crítica. Para muitos, causa indignação ver o avanço de iniciativas voltadas à proteção de roedores enquanto o Brasil enfrenta problemas graves e urgentes, como o aumento da violência urbana e os altos índices de feminicídio. Em um cenário onde milhares de mulheres perdem a vida todos os anos, projetos como esse são vistos por críticos como um desvio de foco das reais necessidades da população.

A deputada defende que o controle de pragas deve ser feito por meio de políticas públicas estruturais, como saneamento básico, coleta adequada de lixo e melhorias na infraestrutura urbana — medidas que, segundo ela, atacariam a raiz do problema de forma mais eficiente e humanitária.

Ainda assim, o debate escancara um ponto sensível: enquanto o país lida com crises sociais profundas, propostas como essa acabam sendo interpretadas como desconectadas da realidade de milhões de brasileiros. Para parte da população, a iniciativa simboliza uma inversão de prioridades que gera revolta e amplia a cobrança por ações mais firmes em áreas consideradas essenciais, como segurança pública e proteção à vida humana.

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