
Família de Alexandre de Moraes processa senador Alessandro Vieira por suposta associação ao PCC
Ação por danos morais envolve declarações sobre Banco Master e amplia tensão após CPI do Crime Organizado
Brasília — A família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ingressou na Justiça com uma ação por danos morais contra o senador Alessandro Vieira (MDB), após declarações que, segundo os autores, teriam associado seus integrantes ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso aprofunda o embate político e institucional envolvendo o parlamentar após sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

A ação, protocolada por meio do escritório Barci de Moraes, sustenta que o senador ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao fazer afirmações consideradas ofensivas e sem comprovação. No documento, as declarações são classificadas como “fraudulentas, abusivas e inadmissíveis”, com alegação de dano à honra da família. O pedido inclui indenização de R$ 20 mil para cada um dos autores.
Declarações sobre Banco Master estão no centro da controvérsia
O processo tem como base uma entrevista concedida por Alessandro Vieira ao SBT News, em março, na qual o senador mencionou investigações envolvendo o Banco Master, apontando possíveis indícios de lavagem de dinheiro e conexão com organizações criminosas.
Durante a entrevista, Vieira afirmou haver sinais de circulação de recursos ilícitos e mencionou a existência de “indicativos” envolvendo autoridades. A família de Moraes entende que a fala implicou uma ligação direta com o PCC. Já o senador nega essa interpretação e afirma que suas declarações foram distorcidas.
Em resposta, Vieira declarou que nunca acusou diretamente familiares do ministro de envolvimento com a facção criminosa, sustentando que se referia exclusivamente ao banco investigado. Segundo ele, há registros e elementos que sustentam suas falas dentro desse contexto.
Senador fala em tentativa de intimidação
Após ser intimado, o parlamentar classificou a ação como uma tentativa de pressão política. Em manifestação pública, afirmou que seguirá atuando normalmente e que não irá recuar diante do que considera seu dever institucional.
O episódio ocorre em meio a tensões geradas após a atuação de Vieira como relator da CPI do Crime Organizado. No relatório final da comissão, o senador chegou a pedir o indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República, levantando suspeitas sobre possíveis irregularidades e conflitos de interesse.
CPI terminou sem aprovação de relatório
Apesar das acusações apresentadas, o relatório final da CPI foi rejeitado pelos integrantes do colegiado, encerrando os trabalhos sem a adoção de medidas concretas. O pedido de indiciamento de autoridades foi um dos principais pontos de divergência e contribuiu para o fracasso na aprovação do documento.
Caso segue sem posicionamento oficial do STF
Até o momento, não houve manifestação oficial da assessoria do ministro Alexandre de Moraes sobre o processo. O caso deverá tramitar na Justiça comum e pode avançar com análise de provas, depoimentos e eventual julgamento sobre os danos alegados.