Flávio Bolsonaro afirma que aceitará resultado das urnas, mas defende mudanças no sistema eleitoral

Flávio Bolsonaro afirma que aceitará resultado das urnas, mas defende mudanças no sistema eleitoral

Candidato do PL à Presidência diz confiar na imparcialidade do TSE, critica falta de transparência nas urnas eletrônicas e fala sobre anistia para envolvidos nos atos de 2022

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do Partido Liberal à Presidência da República nas eleições de 2026, afirmou que aceitará o resultado das urnas eletrônicas e disputará o pleito seguindo as regras definidas pela Justiça Eleitoral. A declaração foi dada durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Band, após questionamentos sobre suas críticas ao sistema eletrônico de votação brasileiro.

Flávio afirmou que acredita que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atualmente presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, terá uma atuação imparcial durante o processo eleitoral.

“Eu vou aceitar. Vou concorrer com essas regras e tenho certeza de que o TSE, diferente de 2022, vai ser um TSE imparcial e que vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência”, declarou o senador.

A fala ocorre após o candidato ter levantado questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas e defendido a adoção de mecanismos adicionais de fiscalização no processo eleitoral.

Críticas às urnas e pedido por mais transparência

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que suas declarações não representam uma contestação direta ao sistema eletrônico de votação, mas uma defesa de melhorias na segurança e na transparência.

Segundo ele, a cobrança seria pela criação de novas camadas de proteção no processo eleitoral.

“O que eu sempre pedi, e foi o que o Bolsonaro sempre pediu, foi mais segurança e transparência. Mais nada além disso”, afirmou.

O candidato, porém, não apresentou quais seriam as vulnerabilidades existentes no sistema atual nem detalhou quais medidas específicas pretende implementar.

As urnas eletrônicas brasileiras são utilizadas desde 1996 e passam por processos de auditoria, testes públicos de segurança e fiscalização por partidos políticos e instituições participantes do processo eleitoral.

Declaração sobre a Smartmatic

Durante a entrevista, Flávio também comentou uma declaração anterior feita em uma reunião com diplomatas estrangeiros, quando afirmou que as urnas brasileiras seriam fabricadas pela empresa Smartmatic.

A empresa já esteve envolvida em debates políticos na Venezuela, mas não fabrica as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.

O senador reconheceu que houve um equívoco na informação.

“Essa parte eu me equivoquei, não produziu. Mas eu estou pedindo apenas isso [aumento da segurança das urnas]. Qual é a dificuldade de você colocar uma camada a mais em segurança, mais transparência?”, afirmou.

A declaração gerou repercussão porque ocorreu em um contexto de debate internacional sobre a confiabilidade dos sistemas eleitorais e sobre possíveis questionamentos ao processo democrático brasileiro.

Relação com o TSE e eleições de 2026

Ao afirmar que espera uma atuação imparcial do TSE, Flávio buscou estabelecer uma posição de participação institucional no processo eleitoral, apesar das críticas feitas anteriormente ao modelo de votação.

O candidato também mencionou que avalia que houve diferenças na condução do processo eleitoral de 2022 e disse esperar novas garantias para o pleito deste ano.

O TSE terá papel central na organização e fiscalização das eleições gerais de 2026, incluindo o julgamento de questões relacionadas à propaganda eleitoral, registro de candidaturas e eventuais ações envolvendo a disputa.

Anistia para envolvidos nos atos de 2022

Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também foi questionado sobre a possibilidade de conceder anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senador afirmou que, caso seja eleito, pretende buscar no Congresso Nacional a aprovação de uma medida de anistia durante o período de transição entre o governo Luiz Inácio Lula da Silva e o próximo mandato presidencial.

O tema é um dos principais pontos de divergência política no país. Aliados de Bolsonaro defendem a revisão das punições aplicadas aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, enquanto críticos afirmam que uma anistia poderia atingir pessoas condenadas por crimes contra o Estado Democrático de Direito.

Crise familiar e relação com Michelle Bolsonaro

Na entrevista, Flávio também falou sobre o episódio envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que publicou um vídeo em que relatou ter se sentido maltratada e humilhada pelo senador.

Questionado sobre o motivo da manifestação pública da madrasta, Flávio afirmou que não poderia afirmar o que ocorreu internamente, mas avaliou que ela poderia estar insegura em relação à sua candidatura presidencial.

“Acho que ela estava insegura com relação à minha candidatura e agiu dessa forma”, declarou.

O episódio foi posteriormente superado após uma troca pública de manifestações entre os dois, com Michelle declarando apoio à candidatura de Flávio durante a convenção do Partido Liberal.

Estratégia política para 2026

As declarações de Flávio Bolsonaro fazem parte da construção de sua candidatura presidencial, que busca manter a base política formada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e apresentar uma agenda baseada em segurança pública, valores conservadores e críticas ao governo atual.

Ao mesmo tempo, o senador tenta equilibrar o discurso de defesa de mudanças no sistema eleitoral com a afirmação de que respeitará o resultado das urnas, em uma tentativa de sinalizar compromisso institucional durante a disputa presidencial.

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