
Flávio Bolsonaro afirma que negociou nos EUA para evitar tarifa sobre produtos brasileiros e critica postura de Lula
Senador diz ter buscado diálogo com autoridades norte-americanas durante viagem a Washington, enquanto governo Lula intensifica negociações diplomáticas para impedir sobretaxas de até 25% sobre exportações brasileiras
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quarta-feira (15), data em que o governo dos Estados Unidos avalia a aplicação de tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que adotou uma postura de diálogo com autoridades norte-americanas, enquanto acusou o governo brasileiro de desgastar a relação bilateral.
Na mensagem divulgada na plataforma X, Flávio declarou que sua prioridade foi defender os interesses do Brasil durante a viagem realizada a Washington na semana anterior.
“Hoje os EUA decidem se vão taxar o Brasil ou não. Enquanto o Lula atacou e provocou os Estados Unidos o tempo todo, eu fui lá negociar. Bati em todas as portas, conversei com quem tinha que conversar. Fiz isso nos EUA e vou fazer também em relação à tarifa chinesa. Os interesses do Brasil sempre vêm na frente”, escreveu o senador.
Viagem aos Estados Unidos
Durante sua passagem por Washington, Flávio Bolsonaro participou de uma audiência pública que discutiu a possibilidade de sobretaxas sobre produtos brasileiros.
Na ocasião, o senador argumentou que uma eventual tarifa de 25% representaria prejuízos para a economia brasileira e afirmou que o momento escolhido para a medida seria especialmente delicado em razão do calendário eleitoral.
Segundo Flávio, a adoção das tarifas penalizaria empresas exportadoras, trabalhadores e consumidores brasileiros, motivo pelo qual defendeu que a medida fosse revista pelas autoridades norte-americanas.
Governo brasileiro mantém negociação diplomática
Enquanto o senador realizava agendas nos Estados Unidos, o governo federal seguiu com negociações oficiais para tentar impedir a adoção das sobretaxas.
Na terça-feira (14), representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial da Presidência da República reuniram-se com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, dando continuidade ao grupo de trabalho criado após entendimento entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Durante o encontro, o governo brasileiro reiterou que considera injustificadas as tarifas propostas contra produtos nacionais.
Brasil contesta investigação norte-americana
Em nota oficial, o Ministério do Desenvolvimento afirmou que as conclusões da investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) não justificam a aplicação das sobretaxas.
Segundo o governo brasileiro, as alegações apresentadas pelos norte-americanos não encontram respaldo técnico suficiente para fundamentar sanções comerciais dessa natureza.
O comunicado também reforça que a orientação do presidente Lula é manter o diálogo diplomático e buscar uma solução negociada para preservar o fluxo comercial entre os dois países.
“Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas. A aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, afirmou o ministério.
Divergência política sobre a condução das negociações
As declarações de Flávio Bolsonaro evidenciam a disputa política em torno da condução das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Enquanto o senador sustenta que sua atuação junto a parlamentares e autoridades norte-americanas buscou evitar prejuízos econômicos ao país, o governo Lula afirma que as negociações oficiais seguem sendo conduzidas pelos canais diplomáticos e técnicos competentes.
A possível imposição das tarifas continua sendo acompanhada pelo governo federal e pelo setor produtivo, que aguardam a decisão final das autoridades norte-americanas e avaliam os impactos que uma eventual sobretaxa poderá causar sobre as exportações brasileiras.