Boulos acusa Trump de tentar influenciar eleição brasileira e afirma que presidente dos EUA estaria interessado nas riquezas minerais do país

Boulos acusa Trump de tentar influenciar eleição brasileira e afirma que presidente dos EUA estaria interessado nas riquezas minerais do país

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência diz que Flávio Bolsonaro representaria os interesses de Donald Trump na disputa eleitoral; declaração ocorre em meio à tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou nesta quarta-feira (15) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria interesse em impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro. Segundo o ministro, a motivação estaria relacionada ao interesse norte-americano nas riquezas minerais e nos recursos naturais brasileiros.

A declaração foi feita durante a inauguração dos Comitês Populares de Luta, iniciativa promovida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador (BA). O evento reuniu lideranças da legenda, entre elas o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa e o senador Jaques Wagner.

Durante o discurso, Boulos afirmou que o principal adversário político do presidente Lula não seria apenas o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas também o presidente norte-americano.

“Vocês acham difícil enfrentar o filho de Bolsonaro. Se fosse só ele no jogo, seria tranquilo. Mas quem quer impedir Lula de ganhar a eleição é Trump, porque é ele quem está de olho nos minerais e nas riquezas do Brasil”, declarou o ministro.

Segundo Boulos, uma eventual vitória da oposição favoreceria interesses estrangeiros, especialmente os dos Estados Unidos, na exploração de recursos estratégicos brasileiros.

Declaração ocorre durante crise comercial

O pronunciamento acontece em um momento de aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo norte-americano sinalizou que poderá aplicar tarifas de até 37,5% sobre determinados produtos brasileiros, medida que preocupa o setor exportador e a equipe econômica do governo federal.

A possível imposição das tarifas está relacionada a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo o órgão americano, o Brasil apresentaria supostas distorções de mercado e falhas relacionadas às práticas comerciais e trabalhistas, argumentos utilizados como base para justificar eventuais sanções comerciais.

A fala de Boulos foi a primeira manifestação pública de um integrante do primeiro escalão do governo Lula relacionando diretamente a disputa comercial com o cenário político das eleições presidenciais de 2026.

Governo brasileiro critica possível tarifaço

Nos últimos dias, integrantes do governo federal vêm classificando como injustificada a intenção dos Estados Unidos de elevar tarifas sobre produtos brasileiros. Diplomatas e integrantes da equipe econômica defendem que as negociações continuem pela via institucional, evitando uma escalada nas tensões entre os dois países.

O Ministério das Relações Exteriores e representantes da área econômica afirmam acompanhar de perto o andamento da investigação conduzida pelo USTR e trabalham para evitar impactos às exportações brasileiras.

Evento marcou mobilização política do PT

O lançamento dos Comitês Populares de Luta faz parte da estratégia do PT para ampliar a mobilização política em defesa do governo e preparar a militância para a campanha eleitoral deste ano.

Além de Guilherme Boulos, participaram do ato o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o ex-governador e ex-ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner, uma das principais lideranças petistas no Congresso Nacional.

Durante o evento, os discursos concentraram críticas à oposição, à política comercial dos Estados Unidos e à necessidade de fortalecer a base de apoio ao presidente Lula nas eleições de outubro.

As declarações de Boulos repercutiram nas redes sociais e entre lideranças políticas, ampliando o debate sobre o impacto das relações entre Brasil e Estados Unidos no cenário eleitoral brasileiro.

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