Flávio Bolsonaro chama decisão de Flávio Dino de “canetada” e cobra atuação de Fachin para conter crise na PF

Flávio Bolsonaro chama decisão de Flávio Dino de “canetada” e cobra atuação de Fachin para conter crise na PF

Senador e candidato à Presidência critica reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada determinada pelo ministro do STF; Flávio sustenta que decisão de André Mendonça não poderia ser simplesmente anulada por outro ministro e pede intervenção do presidente da Corte, Edson Fachin

A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) e os ministros André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, 9 de setembro de 2026. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou duramente a decisão de Dino que determinou a reintegração imediata do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Augusto Passos Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.

Flávio classificou a decisão como uma “canetada” e cobrou do presidente do Supremo, Edson Fachin, uma atuação para enfrentar o conflito entre os próprios ministros da Corte.

A declaração ocorre um dia depois de André Mendonça ter determinado o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, alegando que havia elementos que indicariam irregularidades na produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal. Mendonça afirmou ainda que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Messias, teriam sido monitorados pela estrutura de inteligência da corporação.

O cenário mudou rapidamente. Nesta quarta-feira, Dino acolheu um recurso apresentado por Andrei Rodrigues e suspendeu os efeitos da decisão de Mendonça, determinando o retorno dos dois dirigentes aos respectivos cargos. O ministro justificou a medida pelo risco de prejuízo às investigações em andamento sob sua supervisão.

A crítica de Flávio Bolsonaro

Para Flávio Bolsonaro, o problema não está apenas no retorno de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal. O senador questiona o próprio procedimento utilizado para reverter, em poucas horas, uma decisão tomada por outro integrante do Supremo.

Na avaliação política de Flávio, a sucessão de decisões individuais demonstra um problema maior dentro do tribunal: ministros diferentes assumindo posições conflitantes sobre uma mesma crise institucional, sem que o Plenário tenha imediatamente a palavra final.

É nesse ponto que aparece a expressão “canetada”, utilizada pelo senador para caracterizar aquilo que considera uma decisão individual de enorme impacto institucional.

A crítica ganha força política porque a decisão de Dino não trata de uma questão meramente administrativa. Ela interfere diretamente na situação do diretor-geral da Polícia Federal e também na decisão de outro ministro do Supremo.

Flávio, portanto, argumenta que uma questão dessa magnitude deveria receber tratamento institucional mais amplo, especialmente diante da crise já instalada dentro da Corte.

Flávio Dino determina retorno imediato

Flávio Dino decidiu pela reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.

Segundo a decisão, o afastamento dos dois dirigentes poderia causar prejuízos concretos às investigações em andamento. Dino sustentou que havia risco real e imediato de comprometimento de apurações sob sua supervisão caso a cúpula da Polícia Federal permanecesse afastada.

O ministro também determinou que novas medidas cautelares contra Andrei e Almada não sejam tomadas exclusivamente em razão de atos praticados no exercício regular de suas funções oficiais.

Na decisão, Dino também indicou que uma eventual revisão de sua determinação deveria observar a competência do colegiado do Supremo, em vez de transformar a disputa em uma sucessão de decisões individuais.

A decisão foi tomada apenas um dia depois de Mendonça determinar o afastamento dos dois integrantes da PF, o que mostra a velocidade com que a crise evoluiu.

O que havia determinado André Mendonça

Na terça-feira, André Mendonça havia adotado uma das medidas mais fortes de sua trajetória no Supremo.

O ministro afastou Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e Leandro Almada da Diretoria de Inteligência Policial.

A justificativa apresentada por Mendonça estava relacionada a relatórios produzidos pela inteligência da PF que, segundo ele, teriam sido utilizados de maneira irregular em um contexto de investigação contra sua atuação.

Mendonça afirmou que havia sido monitorado durante mais de um mês e que Jorge Messias, advogado-geral da União, também teria sido acompanhado pela estrutura de inteligência.

O ministro determinou que a situação fosse investigada e classificou o episódio como uma possível utilização indevida da estrutura de inteligência do Estado.

A medida provocou uma reação imediata dentro da PF e também aumentou a tensão entre os ministros do STF.

O relatório que está no centro da disputa

No centro da controvérsia está um relatório de inteligência da Polícia Federal que foi utilizado no contexto de uma investigação envolvendo Mendonça.

O documento havia sido associado a uma ação iniciada por Alexandre de Moraes contra Mendonça, em que se discutia possível abuso de autoridade e direcionamento de investigações.

Mendonça passou a contestar a legitimidade do relatório e afirmou que ele teria sido produzido a partir de um monitoramento irregular.

A situação criou uma circunstância extraordinária: um ministro do STF passou a questionar a utilização de informações produzidas pela Polícia Federal em uma investigação que atingia sua própria atuação.

Foi justamente esse conjunto de acontecimentos que levou Mendonça a afastar Andrei Rodrigues e Leandro Almada.

Alexandre de Moraes também está no centro da crise

O ministro Alexandre de Moraes aparece diretamente na origem da disputa.

Moraes havia apresentado pedido para que Mendonça fosse investigado por suposto abuso de autoridade. O pedido utilizava informações provenientes da Polícia Federal.

A controvérsia ganhou dimensão ainda maior depois das revelações envolvendo mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações relacionadas ao Banco Master.

As mensagens provocaram questionamentos sobre contatos entre Vorcaro e Moraes, enquanto a atuação de Mendonça no caso passou a ser igualmente questionada.

O presidente do STF, Edson Fachin, interveio anteriormente no conflito e retirou o pedido de investigação contra Mendonça do inquérito das fake news, além de cobrar explicações dos envolvidos.

Por que Flávio cobra Fachin

É nesse cenário que Flávio Bolsonaro direciona sua cobrança a Edson Fachin.

O presidente do Supremo é a autoridade responsável pela condução administrativa e institucional da Corte e tem sido chamado a administrar uma crise que envolve diretamente integrantes do próprio tribunal.

A cobrança de Flávio é, portanto, para que Fachin não permita que o conflito seja resolvido por uma sequência de decisões individuais tomadas por ministros diferentes.

Na visão do senador, o episódio demonstra a necessidade de uma resposta institucional do Supremo.

A crítica também tem evidente dimensão política: Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República e um dos principais adversários do governo Lula, enquanto Flávio Dino foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A crítica a Dino e o argumento de independência

Há, entretanto, uma distinção importante.

Flávio Bolsonaro tem legitimidade política para questionar a decisão de Dino, mas sua crítica não transforma automaticamente a decisão em ilegal.

Dino apresentou fundamentação jurídica para reintegrar os dirigentes da PF: argumentou que o afastamento poderia comprometer investigações em andamento e que a manutenção dos responsáveis nos cargos seria necessária para preservar o funcionamento da Polícia Federal.

A discussão jurídica, portanto, permanece aberta.

O ponto politicamente mais sensível é outro: se é adequado que um ministro individualmente reverta uma decisão igualmente individual de outro ministro em meio a uma crise que envolve o próprio STF.

É justamente essa questão que dá força à expressão usada por Flávio Bolsonaro.

A “canetada” como símbolo da crise

A palavra “canetada” funciona, no discurso de Flávio, como uma crítica à concentração de poder decisório nas mãos de ministros individualmente.

O argumento é simples: se uma decisão de grande impacto institucional pode ser tomada por um ministro e, no dia seguinte, anulada por outro ministro, o cidadão comum pode questionar quem efetivamente está definindo os rumos de uma instituição tão poderosa quanto a Polícia Federal.

Essa é uma crítica política relevante, embora precise ser separada da conclusão jurídica sobre a validade da decisão de Dino.

A própria sequência dos acontecimentos evidencia a excepcionalidade do momento:

Mendonça afasta Andrei e Almada.

Dino determina a reintegração.

Fachin cancela uma sessão do Plenário em meio à crise.

E, enquanto isso, a disputa entre ministros continua se aprofundando.

Fachin cancela sessão do Plenário

A crise atingiu tamanho grau que Fachin cancelou a sessão plenária do STF prevista para esta quarta-feira.

A alteração ocorreu justamente enquanto a Corte enfrentava a nova escalada provocada pelo afastamento de Andrei Rodrigues e pela decisão posterior de Dino.

A situação demonstra que a divisão interna deixou de ser um assunto restrito aos bastidores e passou a interferir diretamente na agenda institucional do Supremo.

Uma guerra institucional em plena eleição

O momento da crise também é politicamente relevante.

O Brasil está às vésperas das eleições presidenciais de 2026, e Flávio Bolsonaro é um dos principais candidatos da oposição.

A disputa envolvendo o STF, a Polícia Federal e o governo Lula inevitavelmente passou a ser incorporada ao discurso eleitoral.

A oposição utiliza o episódio para questionar o poder dos ministros do Supremo e defender mudanças na forma de funcionamento da Corte. O governo e seus aliados, por outro lado, sustentam que as decisões precisam ser avaliadas pelos fundamentos jurídicos e pelas necessidades das investigações.

O resultado é uma crise institucional que também se tornou parte da disputa política.

Flávio Bolsonaro ganha novo argumento contra o STF

Independentemente da avaliação jurídica que será feita sobre a decisão de Dino, o episódio fornece a Flávio Bolsonaro um novo argumento político.

O senador já vinha criticando Alexandre de Moraes e defendendo mudanças no Supremo. Agora, a decisão de Dino permite que ele amplie a crítica para o funcionamento interno da Corte.

Sua principal mensagem é que não seria razoável que decisões sobre a Polícia Federal e sobre investigações de alta relevância nacional fossem determinadas e revertidas sucessivamente por ministros individuais.

Nesse ponto, a crítica de Flávio encontra um debate institucional mais amplo: como garantir que decisões excepcionais sejam submetidas rapidamente ao colegiado quando envolvem outros ministros, autoridades de Estado e instituições centrais da República?

O que acontece agora

Andrei Rodrigues e Leandro Almada devem retornar às suas funções depois da decisão de Dino. A determinação também preserva o funcionamento das estruturas da Polícia Federal enquanto os conflitos judiciais continuam sendo analisados.

A disputa, porém, está longe de terminar.

Será necessário definir o alcance da decisão de Dino, analisar os recursos e determinar como o Supremo pretende solucionar o conflito entre as decisões de seus próprios integrantes.

Também permanece pendente o esclarecimento sobre os relatórios de inteligência questionados por Mendonça e sobre as acusações de monitoramento envolvendo o próprio ministro e Jorge Messias.

A pergunta que fica

A fala de Flávio Bolsonaro representa uma crítica política contundente, mas a crise exige uma resposta que ultrapasse a disputa eleitoral.

O Supremo precisa demonstrar que possui mecanismos capazes de resolver seus próprios conflitos de maneira transparente, colegiada e previsível.

A Polícia Federal precisa continuar funcionando sem sofrer paralisações decorrentes de disputas entre autoridades.

E os ministros precisam explicar, de maneira clara, os fundamentos de decisões que atingem diretamente outras instituições da República.

Flávio Bolsonaro chama a decisão de Dino de “canetada” porque, em sua interpretação, um ministro não deveria simplesmente desfazer uma medida de outro ministro em um caso tão sensível sem que o colegiado do Supremo tivesse a palavra final.

É uma crítica política que pode ser contestada juridicamente, mas que toca em uma questão institucional concreta: quem deve ter a última palavra quando dois ministros do Supremo tomam decisões opostas sobre o comando da Polícia Federal?

Essa resposta não deveria depender apenas da força política de Flávio Bolsonaro, da posição de Flávio Dino ou da disputa entre Mendonça e Moraes.

Deveria ser dada pelo próprio Supremo, de forma institucional, transparente e colegiada.

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