
Flávio Bolsonaro diz que busca por armas na casa de Jair Bolsonaro foi “constrangimento danado” e critica operação da PF
Senador afirma que agentes “reviraram tudo” durante diligência determinada pelo STF; defesa diz que nenhuma arma ou documento irregular foi encontrado
O senador e pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL-RJ), Flávio Bolsonaro, criticou a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando a ação como “constrangedora”, “surpresa” e “totalmente desnecessária”.
A diligência ocorreu nesta quarta-feira (8) e teve como objetivo localizar armas, munições, acessórios e documentos relacionados ao registro de armamentos do ex-presidente. A medida foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, após questionamentos sobre a existência de possíveis armas que não teriam sido entregues às autoridades.
Em transmissão realizada em seu canal no YouTube, Flávio Bolsonaro afirmou que a operação causou grande constrangimento à família.
“Um constrangimento danado. Uma busca muito minuciosa. Reviraram tudo”, declarou o senador.
Segundo ele, os agentes da Polícia Federal chegaram à residência do ex-presidente para verificar se havia algum armamento além daquele já informado nos autos do processo.
Flávio afirma que PF não encontrou armas
Durante a manifestação, Flávio Bolsonaro afirmou que os policiais não encontraram nenhuma arma irregular na residência do ex-presidente.
Segundo o senador, a equipe da PF realizou uma busca detalhada e chegou a retirar do quarto a filha mais nova de Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, Laura, para verificar o local.
“Tiveram que tirar a Laurinha do quarto dela para poder fazer também a busca e procurar alguma arma. Eles foram procurar alguma arma que não tivesse sido informada nos autos. E, por óbvio, não tinha absolutamente nada de errado”, afirmou.
A defesa do ex-presidente também declarou que nada foi apreendido durante a operação. O advogado João Henrique Freitas afirmou que os representantes de Bolsonaro já haviam informado previamente a localização das armas registradas.
Segundo a defesa, o mandado tinha como objetivo encontrar armas, munições, acessórios e documentos de registro, mas nenhuma irregularidade foi identificada.
Operação ocorreu após entrega de armas
A ação da Polícia Federal foi determinada depois que Jair Bolsonaro entregou oito armas registradas em seu nome às autoridades.
O procedimento ocorreu após uma arma ter sido apreendida durante uma fiscalização no Distrito Federal. O episódio levou o Exército a encaminhar o arsenal do ex-presidente para a Polícia Federal.
Com a entrega dos equipamentos, a Justiça determinou uma verificação para confirmar se todo o material registrado havia sido apresentado.
A investigação busca esclarecer se existiam outros armamentos ou documentos relacionados que não haviam sido informados anteriormente.
Flávio acusa tentativa de criar “cortina de fumaça”
Além das críticas à operação, Flávio Bolsonaro afirmou que a medida teria sido uma tentativa de desviar a atenção de sua atuação política recente nos Estados Unidos.
O senador esteve em Washington para participar de uma audiência promovida pelo United States Trade Representative, onde discutiu as tarifas norte-americanas aplicadas sobre produtos brasileiros.
Para Flávio, a operação teria ocorrido em um momento estratégico para prejudicar sua agenda política.
“É uma cortina de fumaça para dividir o noticiário com coisas negativas”, afirmou.
O senador também criticou a atuação de Alexandre de Moraes e disse que a defesa de Jair Bolsonaro já havia prestado informações sobre o armamento pertencente ao ex-presidente.
Segundo Flávio, o ministro teria determinado a operação para verificar se as informações apresentadas pela defesa eram verdadeiras.
Disputa política e cenário eleitoral
O episódio ocorre em meio à movimentação para as eleições de 2026, nas quais Flávio Bolsonaro é apontado como um dos nomes do PL para disputar a Presidência da República.
A operação amplia o embate entre aliados do ex-presidente e integrantes do Judiciário, com a família Bolsonaro afirmando que as medidas têm caráter político, enquanto autoridades sustentam que as ações fazem parte de procedimentos de investigação.
O caso deve continuar repercutindo no ambiente político nacional, especialmente pela proximidade do calendário eleitoral e pela influência da imagem de Jair Bolsonaro na campanha de seus aliados.