
Lula lidera primeiro turno, mas disputa com Flávio Bolsonaro fica apertada no segundo turno, aponta pesquisa Meio/Ideia
Levantamento mostra presidente numericamente à frente na corrida presidencial, enquanto confronto direto com senador do PL aparece dentro da margem de erro. Pesquisa também revela cenário fragmentado entre os demais pré-candidatos.
A corrida presidencial de 2026 segue marcada pela polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa do instituto Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8), aponta que o presidente aparece na liderança dos cenários de primeiro turno, mas encontra um cenário mais equilibrado em uma eventual disputa direta contra o senador no segundo turno.
O levantamento foi realizado entre os dias 3 e 6 de julho de 2026, com 1.500 eleitores entrevistados por telefone. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026.
Primeiro turno: Lula aparece na frente com 40,4%
No cenário estimulado de primeiro turno, quando os eleitores recebem uma lista de candidatos, Lula aparece com 40,4% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 32%.
Os demais nomes testados ficaram em patamares inferiores:
- Ronaldo Caiado (PSD): 4%
- Romeu Zema (Novo): 2,5%
- Aécio Neves (PSDB): 2%
- Renan Santos (Missão): 2%
- Augusto Cury (Avante): 1,5%
- Joaquim Barbosa (DC): 0,5%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 0,5%
- Rui Costa Pimenta (PCO): 0,4%
- Samara Martins (UP): 0,4%
- Hertz Dias (PSTU): 0,1%
- Edmilson Costa (PCB): 0,1%
O levantamento também registrou 4,1% de eleitores que declararam voto branco, nulo ou nenhum candidato, enquanto 9,5% disseram ainda não saber em quem votar.
Segundo turno: Lula 45% e Flávio 40%
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece numericamente à frente:
- Lula (PT): 45%
- Flávio Bolsonaro (PL): 40%
- Branco/Nulo: 10,5%
- Não sabem: 4,5%
A diferença de cinco pontos percentuais fica dentro da margem de erro do levantamento, o que caracteriza um cenário de empate técnico.
Na comparação com uma rodada anterior do instituto, divulgada no fim de maio, houve pequena oscilação: Lula tinha 46,5%, enquanto Flávio aparecia com 41,4%.
Voto espontâneo mostra vantagem de Lula
Quando o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos, Lula também aparece na liderança.
Os números são:
- Lula: 32,8%
- Flávio Bolsonaro: 20,3%
- Jair Bolsonaro: 1,3%
- Ronaldo Caiado: 1,2%
- Outros candidatos: 2,7%
- Branco/Nulo: 8,5%
- Não sabem: 33,1%
O alto percentual de indecisos nesse cenário mostra que uma parcela significativa do eleitorado ainda não consolidou sua escolha.
Rejeição coloca Lula e Flávio em disputa semelhante
O levantamento também mediu a rejeição dos principais nomes.
Segundo a pesquisa:
- Lula é rejeitado por 46,4% dos eleitores
- Flávio Bolsonaro tem rejeição de 43,4%
Outros nomes avaliados ficaram abaixo:
- Michelle Bolsonaro: 28%
- Aécio Neves: 18,6%
- Romeu Zema: 13,3%
- Ronaldo Caiado: 12,1%
- Renan Santos: 10,1%
Polarização domina a corrida presidencial
Os números indicam que, neste momento, a disputa presidencial permanece concentrada entre dois polos: o atual presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
Enquanto Lula tenta transformar a eleição em uma avaliação de seu governo e de sua trajetória política, Flávio busca consolidar a herança eleitoral do bolsonarismo e ampliar seu espaço entre os eleitores de oposição.
A pesquisa também mostra dificuldade dos candidatos de centro e da chamada terceira via em romper a polarização. Nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos aparecem com percentuais reduzidos no cenário nacional.
Análise do cenário eleitoral
O levantamento revela uma disputa ainda aberta, apesar da liderança numérica de Lula no primeiro turno. A vantagem do presidente diminui quando o eleitor é colocado diante de uma escolha direta contra Flávio Bolsonaro.
O cenário indica que a eleição de 2026 tende a ser definida pela capacidade dos candidatos de ampliar alianças, conquistar eleitores indecisos e reduzir índices de rejeição.
Com mais de três meses de campanha formal pela frente, os números mostram um eleitorado dividido e uma disputa que deve permanecer marcada pelo confronto entre dois grandes grupos políticos: o campo liderado pelo PT e a oposição ligada a direita.