PL avalia colocar Marcelo Crivella no Senado e Rogéria Bolsonaro como suplente após operação da PF contra Márcio Canella

PL avalia colocar Marcelo Crivella no Senado e Rogéria Bolsonaro como suplente após operação da PF contra Márcio Canella

Estratégia é vista por aliados bolsonaristas como uma “saída honrosa” para preservar a chapa apoiada por Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro diante das incertezas jurídicas

A disputa pelo Senado no Rio de Janeiro ganhou um novo capítulo após a operação da Polícia Federal que atingiu o pré-candidato Márcio Canella (União Brasil). Dirigentes do campo bolsonarista passaram a discutir uma possível mudança na composição da chapa articulada pelo Flávio Bolsonaro, com a entrada do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) na disputa pelo Senado.

A avaliação de integrantes do Partido Liberal no Rio é de que a substituição poderia representar uma “saída honrosa” caso a situação de Canella se complique ou sua candidatura fique inviável por causa das investigações.

A mudança também afetaria a composição da suplência. A ideia em discussão é que Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro e ex-vereadora, passe a ocupar a primeira suplência na chapa de Crivella.

Atualmente, Rogéria já integra a chapa de Márcio Canella como suplente, mas poderia ser remanejada caso ocorra a troca de candidato.

Operação da PF aumenta pressão sobre chapa bolsonarista

A operação que colocou Márcio Canella no centro das atenções investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo organizações criminosas por meio de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

O episódio aumentou a instabilidade dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorre em um momento de montagem das alianças para as eleições de 2026.

Esta é a segunda vez em menos de três meses que uma operação da Polícia Federal atinge diretamente nomes escolhidos pelo grupo de Flávio Bolsonaro para a disputa eleitoral no estado.

Antes de Canella entrar no radar das investigações, o ex-governador Cláudio Castro (PL) havia desistido de concorrer ao Senado. A saída ocorreu após questionamentos envolvendo uma suposta relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.

Com a desistência de Castro, uma das vagas ao Senado na chapa bolsonarista ficou aberta, aumentando a disputa interna entre aliados.

Entre os nomes cotados para ocupar o espaço estão o senador Carlos Portinho e o deputado federal Carlos Jordy, ambos do PL.

Flávio Bolsonaro teria informado a aliados que pretende definir o escolhido após uma conversa com o pai, Jair Bolsonaro.

Crivella aparece como nome competitivo na direita

A escolha de Marcelo Crivella é considerada uma alternativa estratégica porque o deputado aparece como um dos nomes mais fortes do campo da direita nas pesquisas eleitorais para o Senado no Rio.

Levantamento citado pela coluna do Estadão, da Paraná Pesquisas, aponta Crivella com 26% das intenções de voto, atrás apenas da deputada federal Benedita da Silva (PT), que aparece na liderança com 34%.

Crivella também voltou a ter condições jurídicas para disputar a eleição após uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu os efeitos que impediam sua candidatura.

O ex-prefeito do Rio de Janeiro havia sido declarado inelegível pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro em razão de uma condenação eleitoral.

Estratégia tenta manter influência bolsonarista no Rio

O Rio de Janeiro é considerado um dos principais redutos eleitorais da família Bolsonaro. A montagem da chapa para o Senado é vista como peça importante na estratégia nacional do PL para 2026.

A eventual entrada de Crivella teria como objetivo manter uma candidatura competitiva no campo da direita e evitar que problemas jurídicos envolvendo aliados comprometam o projeto eleitoral.

Até o momento, porém, não há confirmação oficial de mudança na chapa. As decisões dependem da evolução das investigações contra Márcio Canella e das negociações internas entre os partidos aliados.

O cenário no Rio permanece aberto, com o grupo de Flávio Bolsonaro tentando equilibrar alianças políticas, pesquisas eleitorais e os impactos das operações policiais sobre seus principais candidatos.

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