
Flávio Bolsonaro diz que não quer reeleição: “Só preciso de um mandato”
Candidato do PL afirma que pretende concentrar o governo em resultados e reafirma proposta de acabar com a reeleição para presidente da República
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou que não pretende disputar um segundo mandato caso seja eleito em 2026. A declaração ocorreu após o primeiro turno das eleições, no qual o senador terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e avançou para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
“Eu sou o único candidato que assumiu o compromisso pelo fim da reeleição, porque eu só preciso de um mandato para colocar o brasileiro e a brasileira no centro do meu governo, para que eu possa atacar e resolver os problemas reais no Brasil”, declarou Flávio.
A proposta não surgiu apenas durante a campanha. Flávio já havia apresentado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) relacionada ao fim da possibilidade de reeleição para presidentes da República. A proposta tramita no Senado e prevê a inelegibilidade do presidente para o período imediatamente posterior ao mandato.
O que Flávio está propondo
A ideia defendida pelo candidato é acabar com a possibilidade de um presidente disputar imediatamente um segundo mandato.
Segundo o programa de governo apresentado por Flávio, o fim da reeleição permitiria que o presidente concentrasse sua atuação em decisões de longo prazo, sem precisar direcionar parte de sua atuação para uma nova campanha eleitoral.
O documento argumenta que, sem a necessidade de buscar a permanência no cargo, o presidente poderia tomar decisões pensando nos resultados do mandato e não nos dividendos eleitorais de uma eventual campanha seguinte.
A proposta, porém, depende de mudança constitucional. Atualmente, a Constituição Federal permite que presidente, governadores e prefeitos sejam reeleitos uma única vez para o período subsequente.
“Só preciso de um mandato”
A frase escolhida por Flávio ganhou destaque justamente porque apresenta a sua candidatura como um compromisso de governo limitado a um único período presidencial.
“Eu só quero um mandato, eu só preciso de um mandato”, afirmou o candidato em outra declaração sobre o assunto.
A fala procura estabelecer uma diferença entre o exercício do poder e a busca pela permanência no cargo.
Na visão apresentada por Flávio, o presidente deveria utilizar os quatro anos para enfrentar problemas estruturais e entregar resultados, sem transformar o governo em instrumento permanente de preparação para uma nova eleição.
Uma proposta que precisa passar pelo Congresso
É importante destacar que o fim da reeleição não poderia ser estabelecido apenas por decisão do presidente.
Como se trata de alteração da Constituição, a proposta precisa seguir o processo legislativo previsto para uma PEC e obter os quóruns constitucionais necessários no Congresso Nacional.
A PEC 4/2026, registrada no Senado, tem como objetivo alterar a Constituição para estabelecer a inelegibilidade do presidente da República no período imediatamente posterior ao mandato.
Portanto, caso Flávio seja eleito e mantenha essa posição, a implementação da proposta dependerá também da atuação de deputados e senadores.
Flávio chega ao segundo turno
A declaração acontece em um momento decisivo da eleição presidencial.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Após o resultado, Flávio afirmou que interpretava a votação como um sinal de que o país desejaria mudanças.
“O Brasil quer mudança”, declarou o candidato após o resultado do primeiro turno.
Em outro pronunciamento, também afirmou que o resultado representava, segundo sua interpretação política, o “fim da era do PT”. Essa é uma avaliação do próprio candidato sobre o resultado eleitoral, e não uma conclusão independente sobre o cenário político.
As partes envolvidas
De um lado está Flávio Bolsonaro (PL), candidato que defende o fim da reeleição presidencial e afirma que pretende governar apenas por um mandato.
Do outro está Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atual presidente e adversário de Flávio no segundo turno.
Também estão diretamente envolvidos no debate Câmara dos Deputados e Senado Federal, porque uma eventual mudança constitucional dependerá do Congresso Nacional.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por sua vez, é responsável pela condução e organização da eleição, enquanto as regras constitucionais sobre reeleição estão estabelecidas na própria Constituição Federal.
O que permanece em aberto
A declaração de Flávio representa um compromisso político, mas há uma questão importante: se a PEC não for aprovada, ele manteria pessoalmente a decisão de não disputar a reeleição?
Essa questão já apareceu anteriormente. Em maio de 2026, Flávio afirmou que era contrário à reeleição, mas também declarou considerar quatro anos pouco tempo para um único mandato e disse que a questão seria discutida pelo Congresso.
Agora, depois de chegar ao segundo turno, o candidato voltou a enfatizar que pretende trabalhar pelo fim da reeleição.
Assim, a proposta terá de ser acompanhada não apenas pelo discurso eleitoral, mas também pela eventual tramitação legislativa e pelas posições que Flávio assumir caso chegue ao Palácio do Planalto.
Mérito da proposta
O mérito da declaração está no fato de que Flávio colocou uma proposta institucional concreta no centro do debate eleitoral: discutir se o presidente deve ter ou não direito a disputar imediatamente um segundo mandato.
A medida não depende exclusivamente da vontade do candidato. Para entrar em vigor, precisaria passar pelo Congresso e alterar a Constituição.
Mas, politicamente, Flávio deixou clara sua posição: diz que não está buscando a Presidência para construir uma permanência indefinida no poder e que pretende concentrar seu eventual governo em um único mandato.
A proposta agora está diante do eleitor e, caso Flávio seja eleito, diante do Congresso Nacional.
A palavra final sobre o segundo turno será dada pelos eleitores em 25 de outubro; sobre uma eventual mudança constitucional, a decisão caberá ao Congresso Nacional, dentro das regras previstas na Constituição.