
Valdemar Costa Neto projeta Jair Bolsonaro como candidato à Presidência em 2030
Presidente nacional do PL afirma que, se Flávio Bolsonaro for eleito em 2026, acredita que o filho libertará o ex-presidente; com fé em Deus, futuro político de Bolsonaro volta ao centro do debate
O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (5) que vê Jair Bolsonaro como um possível candidato forte à Presidência da República em 2030.
A declaração foi dada em entrevista à CNN e ocorre um dia depois do primeiro turno das eleições de 2026, no qual Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente e candidato do PL, terminou na primeira colocação e avançou para o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Valdemar foi direto ao projetar o futuro político do ex-presidente. Segundo ele, caso Flávio seja eleito presidente, deverá trabalhar pela liberdade do pai, abrindo caminho para que Jair Bolsonaro volte a disputar uma eleição presidencial.
“O Flávio se elegendo presidente da República, ele vai liberar o Jair Bolsonaro. Eu não tenho dúvida disso. O Jair Bolsonaro pode ser um forte candidato daqui a quatro anos. O povo vai querer Jair Bolsonaro”, afirmou Valdemar.
A afirmação, contudo, é uma projeção política de Valdemar Costa Neto. Flávio Bolsonaro, conforme registrado pelas reportagens sobre a declaração, não anunciou nessa fala uma decisão própria de conceder indulto ao pai.
Valdemar coloca Bolsonaro novamente no horizonte eleitoral
A declaração do presidente do PL recoloca Jair Bolsonaro no horizonte de uma eleição presidencial mesmo diante da atual situação judicial do ex-presidente.
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado, segundo a decisão judicial citada pelo Poder360. Atualmente, cumpre a pena em prisão domiciliar.
Para que uma eventual candidatura em 2030 aconteça, entretanto, seria necessário que Bolsonaro estivesse juridicamente apto a disputar uma eleição naquele momento. Portanto, a possibilidade mencionada por Valdemar depende de mudanças futuras na situação jurídica e eleitoral do ex-presidente.
É justamente nesse ponto que a declaração ganha dimensão política: Valdemar não fala apenas de uma candidatura distante, mas de uma possível reconstrução do caminho de Bolsonaro para retornar às urnas.
O papel de Flávio Bolsonaro
O cenário imaginado por Valdemar começa nas eleições de 2026.
Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno depois de terminar a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, segundo os dados citados pelo Poder360. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Caso Flávio seja eleito, o presidente do PL acredita que uma das questões centrais de seu governo será justamente a situação do pai.
A declaração de Valdemar, portanto, apresenta uma sequência política hipotética:
Flávio Bolsonaro vence em 2026 → Jair Bolsonaro recupera a liberdade por meio de uma medida jurídica ou política → Bolsonaro volta a ficar apto a disputar eleições → Bolsonaro pode concorrer novamente à Presidência em 2030.
Esse roteiro, porém, depende de várias etapas que ainda não aconteceram.
O que Valdemar efetivamente afirmou
É importante separar a declaração de Valdemar de decisões oficiais já tomadas.
O presidente do PL não anunciou uma candidatura formal de Jair Bolsonaro para 2030. Ele afirmou que considera o ex-presidente um potencial candidato forte caso as condições jurídicas permitam seu retorno à vida política.
Também não existe, até o momento, uma candidatura de Bolsonaro registrada para 2030.
A declaração funciona como uma projeção política do comando do PL sobre o futuro do partido e de seu principal líder.
Jair Bolsonaro continua sendo referência para o PL
Mesmo afastado atualmente da disputa eleitoral, Jair Bolsonaro continua sendo uma figura central para o PL.
A própria composição política construída pelo partido em 2026 mostra a importância do sobrenome Bolsonaro. Flávio assumiu a candidatura presidencial da legenda e avançou ao segundo turno.
Além disso, o PL terá a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 28 senadores, sendo 19 eleitos no primeiro turno e nove que já possuíam mandato.
Esse resultado amplia o espaço político da legenda para discutir temas relacionados ao futuro de Jair Bolsonaro, embora qualquer mudança em sua situação jurídica dependa dos mecanismos previstos na legislação e de decisões das instituições competentes.
A dimensão da fé para os apoiadores de Bolsonaro
Para milhões de pessoas que continuam acompanhando a trajetória política de Jair Bolsonaro, a possibilidade de vê-lo novamente disputando uma eleição representa uma perspectiva de futuro.
É nesse ambiente que a expressão “com fé em Deus” ganha significado político e pessoal para os apoiadores do ex-presidente: a expectativa de que as circunstâncias possam mudar e que Bolsonaro volte a ter liberdade e participação política.
A declaração de Valdemar reforça justamente essa esperança ao colocar 2030 como horizonte possível.
Mas, juridicamente, ainda há uma distância considerável entre a projeção política e uma candidatura efetivamente possível.
O mérito de Valdemar Costa Neto na construção do projeto do PL
Valdemar Costa Neto ocupa a presidência nacional do PL e desempenha papel central na organização partidária.
Sob sua liderança, o partido consolidou uma estrutura nacional em torno do bolsonarismo e chegou às eleições de 2026 com uma bancada parlamentar ampliada.
A declaração sobre 2030 mostra que Valdemar não trata Jair Bolsonaro apenas como uma liderança do passado. Ele trabalha politicamente com a possibilidade de que Bolsonaro continue sendo uma referência do partido no futuro.
Ao falar em uma possível candidatura presidencial quatro anos depois, Costa Neto sinaliza que o PL pretende manter o sobrenome Bolsonaro no centro de seu projeto político, independentemente de quem ocupe temporariamente a Presidência.
O precedente do indulto e os limites jurídicos
A possibilidade de uma eventual libertação de Jair Bolsonaro por iniciativa de um futuro governo, mencionada por Valdemar, também levanta questões jurídicas.
Existe precedente envolvendo Daniel Silveira, beneficiado em 2022 por um indulto concedido pelo então presidente Jair Bolsonaro. Em 2023, o STF anulou o benefício por 8 votos a 2, entendendo que houve desvio de finalidade.
Isso não significa automaticamente que qualquer eventual medida futura envolvendo Jair Bolsonaro teria o mesmo resultado. Significa apenas que existe um precedente relevante que poderia ser analisado caso uma situação semelhante chegasse novamente ao Supremo.
Por isso, uma eventual medida destinada a alterar a situação penal do ex-presidente poderia gerar novo debate constitucional e judicial.
Um projeto político que ultrapassa 2026
A fala de Valdemar também revela que o PL já trabalha com uma perspectiva política que vai além do segundo turno de 2026.
A prioridade imediata é a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula. Mas, ao mesmo tempo, o comando nacional do partido já projeta o que poderia acontecer quatro anos depois.
Nesse cenário, Flávio poderia ocupar a Presidência durante o mandato de 2027 a 2030, enquanto Jair Bolsonaro recuperaria espaço político e, se estivesse juridicamente apto, poderia tentar retornar ao Palácio do Planalto.
É uma hipótese que dependeria de diversas decisões futuras, mas que agora foi colocada publicamente pelo presidente do maior partido da direita no Congresso.
Os principais envolvidos
Valdemar Costa Neto — presidente nacional do PL e responsável pela declaração de que Jair Bolsonaro poderia ser um candidato forte em 2030.
Jair Bolsonaro — ex-presidente da República, atual líder político do PL e pai de Flávio Bolsonaro. Cumpre pena de 27 anos e três meses e está atualmente em prisão domiciliar.
Flávio Bolsonaro — senador, candidato do PL à Presidência em 2026 e filho de Jair Bolsonaro. Segundo a projeção feita por Valdemar, uma eventual vitória de Flávio poderia abrir caminho para a libertação do pai.
Luiz Inácio Lula da Silva — presidente da República e adversário de Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026.
Partido Liberal (PL) — legenda presidida por Valdemar e principal estrutura partidária do bolsonarismo.
Supremo Tribunal Federal (STF) — instituição que condenou Jair Bolsonaro e que poderá ser chamada a analisar eventuais questões jurídicas relacionadas à execução da pena e a uma futura elegibilidade.
2030 volta ao vocabulário político
A fala de Valdemar Costa Neto não significa que Jair Bolsonaro já esteja oficialmente de volta à corrida presidencial. Mas representa algo politicamente relevante: o principal dirigente do PL já fala publicamente sobre Bolsonaro como possível candidato para 2030.
O futuro dependerá da situação jurídica do ex-presidente, de eventuais decisões judiciais, das regras eleitorais vigentes e das condições políticas existentes daqui a quatro anos.
Por enquanto, o caminho passa primeiro pelo segundo turno de 2026.
Se Flávio Bolsonaro vencer, como Valdemar considera em sua hipótese, o governo poderá ter entre seus maiores desafios justamente a situação do pai do novo presidente.
E, se as condições jurídicas permitirem, o nome de Jair Bolsonaro poderá novamente aparecer em uma eleição presidencial.
Para o PL, a história de Jair Bolsonaro, portanto, ainda não estaria encerrada. Com fé em Deus e dependendo dos caminhos institucionais que serão percorridos, Valdemar Costa Neto já enxerga 2030 como uma possibilidade concreta de retorno do ex-presidente às urnas.