Flávio Bolsonaro reage à foto de Paulo Gonet com Daniel Vorcaro: “Rindo da cara do povo sofrido”

Flávio Bolsonaro reage à foto de Paulo Gonet com Daniel Vorcaro: “Rindo da cara do povo sofrido”

Subtítulo: Senador critica o procurador-geral da República após a divulgação de uma fotografia em Londres, que reacendeu questionamentos sobre a relação entre Gonet e o empresário Daniel Vorcaro. O episódio intensifica a cobrança por explicações e amplia o embate político em torno da credibilidade da Procuradoria-Geral da República.

A reação do senador ocorreu neste sábado, 19 de setembro, após a divulgação de uma fotografia encontrada pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O registro mostra o empresário e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em Londres, em abril de 2024, durante um evento com outras autoridades, em um ambiente de degustação de charutos e uísque Macallan.

Flávio Bolsonaro publicou um vídeo que combina a declaração anterior de Gonet, na qual minimizou a relação com Vorcaro, com a imagem dos dois juntos. Na publicação, o senador escreveu:

“Enquanto Lula tira a esperança e a comida da mesa de milhões de brasileiros, seus co-autores estão em Londres tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo sofrido”.

A declaração associa a imagem ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e representa uma crítica política à proximidade social registrada entre Gonet e o empresário investigado.

A fotografia foi enviada em 19 de junho de 2025 pelo advogado Ciro Soares a Vorcaro, acompanhada da mensagem “PG me mandou”. Segundo as conversas divulgadas, as iniciais se referem a Paulo Gonet. O contexto das mensagens também menciona a confirmação de uma ida a Londres e a possibilidade de participação de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em um evento.

Em uma troca de mensagens, Vorcaro teria respondido “óbvio” à possibilidade de Pedro acompanhar a viagem. Em outra conversa, uma lista de convidados com despesas pagas foi discutida, e Vorcaro teria restringido a autorização a Pedro e Ciro Soares. As mensagens levantam questionamentos sobre convites e custeio de participação, mas não comprovam, por si só, favorecimento ou irregularidade por parte de Gonet.

O procurador-geral afirmou, em sessão do Supremo Tribunal Federal realizada em 15 de setembro, que teve apenas um encontro com Vorcaro, em abril de 2024, durante um evento com várias autoridades. Também descreveu uma ligação intermediada por advogado como “brevíssima e banal”.

A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da fotografia e informou que se tratava de um evento de 2024 com a presença de diversas autoridades. A assessoria também ressaltou que o ministro André Mendonça, do STF, havia afirmado não identificar ilícito nas menções ao procurador-geral.

O episódio provocou reações de outros nomes da direita. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) declarou que a imagem explicaria, em sua avaliação, a atuação de Gonet no Supremo. O ex-procurador da República Deltan Dallagnol questionou a relação entre o procurador-geral e Vorcaro. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a postura de Gonet e cobrou consequências para autoridades envolvidas no caso.

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), por sua vez, afirmou que Gonet deveria ser investigado e deixar o cargo. O senador Jorge Seif (PL-SC), ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro, defendeu a renúncia do procurador-geral.

As manifestações ocorreram em meio a uma controvérsia mais ampla sobre as relações de autoridades com Daniel Vorcaro e o Banco Master. O caso também envolve questionamentos sobre o contrato entre o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes e a instituição financeira, assunto que tem sido citado por políticos da oposição.

A fotografia, contudo, não demonstra que Paulo Gonet tenha cometido crime ou interferido em investigações. O encontro ocorreu em 2024, e o advogado Ciro Soares afirmou que, naquele momento, não havia investigação contra Vorcaro. A avaliação sobre eventual conflito de interesses depende do exame do contexto, dos contatos posteriores e de possíveis atos relacionados às atribuições da PGR.

A crítica política levantada por Flávio Bolsonaro é a de que autoridades responsáveis por fiscalizar e promover a aplicação da lei precisam prestar esclarecimentos quando surgem registros de convivência com pessoas investigadas. A cobrança por transparência é legítima, mas deve ser acompanhada de cuidado para não transformar uma fotografia em prova de culpa.

O caso exige respostas claras sobre a natureza dos encontros, os convites, o custeio de viagens e a existência ou não de contatos relacionados a processos. A credibilidade das instituições depende tanto da transparência de seus integrantes quanto do respeito às garantias legais de todos os envolvidos.

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