Flávio Bolsonaro ressuscita pena de morte — agora como “solução” para corrupção no governo Lula

Flávio Bolsonaro ressuscita pena de morte — agora como “solução” para corrupção no governo Lula

Senador usa exemplo da China para atacar o Planalto e associa escândalo no INSS ao atual governo, mesmo com fraudes iniciadas ainda na gestão Bolsonaro.

Em mais um capítulo da política brasileira que parece roteiro de tragicomédia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sugeriu nada menos que a pena de morte como punição para casos de corrupção — e, claro, apontou o dedo diretamente para o governo Lula.

A inspiração veio da China, onde um ex-ministro foi condenado ao fuzilamento por embolsar milhões em propinas. Aproveitando a notícia, Flávio disparou nas redes sociais: se Lula já quer importar da China o “modelo de censura” para as redes sociais, por que não trazer também o manual chinês de combate à corrupção? Ironizou ainda que o “especialista” poderia começar pelo INSS, envolvido em fraudes.

Convenientemente, o senador omitiu que a própria investigação da CGU e da Polícia Federal mostra que os desvios ocorreram entre 2019 e 2024 — ou seja, atravessaram os dois governos, Bolsonaro e Lula. Mas, para quem vive de palanque digital, a verdade é só um detalhe incômodo.

A fala expõe mais um paradoxo do bolsonarismo: um senador brasileiro, que deveria zelar pela Constituição, exaltando regimes autoritários e suas punições brutais. De um lado, defendem a liberdade “acima de tudo”; do outro, citam com entusiasmo fuzilamentos em praça pública.

No fim das contas, a proposta não passa de uma provocação rasa, que tenta colar no governo Lula um carimbo de corrupção, mesmo que os fatos mostrem que o problema é bem mais antigo — e atinge, inclusive, a gestão do clã Bolsonaro. Mas a retórica é simples: gritar “pena de morte” gera mais curtidas do que discutir como de fato combater as falcatruas.

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