
Fotos de Lulinha com lobista em jatinho de US$ 20 milhões levantam questionamentos sobre luxo, relações empresariais e investigações da PF
Imagens mostram Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, ao lado de Roberta Luchsinger durante viagem à Finlândia. Defesa afirma que o passeio foi privado e nega irregularidades; Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Novas imagens divulgadas em 21 de outubro de 2026 voltaram a colocar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no centro de questionamentos políticos e jurídicos. As fotografias, divulgadas pela revista Veja e reproduzidas pelo Metrópoles, mostram Lulinha ao lado da empresária e lobista Roberta Luchsinger durante uma viagem à Finlândia, no início de 2025, em um jatinho particular. <Cite refs={[“turn364178search0″,”turn364178search1”]}/>
A aeronave é um Embraer Praetor 600, modelo cujo preço novo supera US$ 20 milhões. A viagem teria sido realizada para observar a aurora boreal. O valor atribuído ao avião, porém, não significa que Lulinha ou Roberta sejam proprietários da aeronave: as reportagens descrevem o uso de um avião fretado.
O episódio ganhou relevância porque os dois aparecem em investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de tráfico de influência e possíveis irregularidades em negociações envolvendo interesses privados e órgãos públicos. As fotografias comprovam a convivência registrada, mas, isoladamente, não demonstram a prática de crime.
Outras viagens e despesas bancadas por empresários
As reportagens também mencionam outros episódios que levantaram questionamentos sobre o custeio de viagens e atividades de lazer de Lulinha. Segundo a Veja, em 2024 ele comemorou o aniversário com a esposa em um camarote do Rock in Rio Lisboa, oferecido por um empresário. No ano seguinte, teria visitado a Grande Muralha da China em uma viagem também custeada por um empresário.
Esses relatos ampliam as perguntas sobre quem pagou as despesas, quais eram as relações entre os envolvidos e se existiam interesses comerciais associados aos benefícios recebidos. Receber a hospitalidade de amigos ou empresários não configura automaticamente crime, mas, diante de investigações sobre possíveis intermediações junto ao poder público, a origem dos recursos e eventuais contrapartidas tornam-se questões legítimas para apuração. <Cite refs={[“turn364178search1″,”turn364178search0”]}/>
O que a Polícia Federal investiga
As investigações envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção em possíveis negociações relacionadas a medicamentos à base de canabidiol e a interesses empresariais junto a órgãos federais. A PF também busca esclarecer viagens realizadas por Lulinha, quem teria custeado os deslocamentos e quais relações existiam entre os participantes.
Em outra reportagem, foram descritas mensagens que indicariam a proximidade entre Roberta Luchsinger, Lulinha e empresários interessados em negócios com o governo. Os investigadores procuram determinar se houve atuação legítima de intermediação comercial ou se as relações teriam sido usadas para obter vantagens indevidas. A conclusão depende da análise das provas e das decisões das autoridades competentes. <Cite refs={[“turn721720search3″,”turn364178news8”]}/>
Roberta Luchsinger faz acusações contra Lula
Roberta Luchsinger também passou a fazer declarações públicas críticas ao presidente. Em entrevista à CNN Brasil, ela acusou Lula de mentir sobre as relações dela com o governo e afirmou que pretende colaborar com a Justiça por meio de uma possível delação premiada. Essas declarações são alegações da empresária e precisam ser confrontadas com documentos e outros elementos de prova. <Cite refs={[“turn364178news9″,”turn364178search0”]}/>
O Palácio do Planalto contestou a narrativa sobre a relação de Roberta com o presidente. Lula, por sua vez, afirmou não conhecê-la pessoalmente, segundo as reportagens. A existência de fotografias e mensagens que apontam para relações entre pessoas do círculo investigado torna importante esclarecer os fatos, mas não permite, por si só, concluir que o presidente tenha cometido alguma irregularidade.
A defesa nega qualquer ilegalidade
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, afirmou ao Metrópoles que a viagem foi privada, entre amigos e familiares, e negou a existência de crime ou ilicitude. Também questionou o momento da divulgação das imagens, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.
O advogado negou ainda que Roberta tenha bancado o filho do presidente de forma irregular, afirmando que as despesas de Lulinha são pagas com recursos do próprio trabalho, embora tenha admitido a possibilidade de ela ter custeado uma ou outra viagem sem que isso, segundo ele, representasse ilegalidade.
A defesa de Roberta, por sua vez, declarou que não comentaria o que classificou como vazamentos ilícitos de fotografias de autenticidade duvidosa. As manifestações das defesas fazem parte do caso e devem ser consideradas na avaliação das acusações. <Cite refs={[“turn364178search0”]}/>
Crítica: transparência é obrigação, não favor
O episódio merece cobrança pública porque envolve o filho do presidente da República, uma lobista investigada e relações com empresários que mantêm interesses no setor público. Em qualquer governo, a sociedade tem o direito de perguntar quem financia viagens de pessoas próximas ao poder, quais benefícios são oferecidos e se existe alguma contrapartida relacionada a decisões administrativas.
A crítica ao entorno de Lula não exige condenação antecipada de Lulinha ou de Roberta. Exige, isso sim, que as autoridades investiguem com seriedade e que as explicações apresentadas sejam confrontadas com os documentos disponíveis.
Se as viagens foram exclusivamente privadas, como afirma a defesa, é importante esclarecer quem as custeou e em quais condições. Se houve intermediação comercial legítima, isso também precisa ser demonstrado. Caso sejam encontradas provas de vantagens indevidas ou de interferência ilegal em decisões públicas, os responsáveis deverão responder conforme a legislação.
O que não pode prevalecer é a ideia de que o parentesco com o presidente, as relações de amizade ou a influência política sejam suficientes para afastar questionamentos. O mesmo rigor deve ser aplicado a aliados e adversários.
A imagem de um jatinho de mais de US$ 20 milhões pode chamar a atenção, mas a questão central não é o preço do avião: é saber quem pagou a viagem, por quê e se existiu alguma relação com os negócios investigados.
O caso ainda exige apuração. As fotografias acrescentam elementos ao debate público, mas não substituem provas de crime. A população merece respostas claras, investigação independente e igualdade perante a lei — sem blindagem política e sem condenações antes da conclusão do processo.