Geddel e Lula voltam a dividir o palanque na Bahia: reencontro reacende lembranças do escândalo dos R$ 51 milhões

Geddel e Lula voltam a dividir o palanque na Bahia: reencontro reacende lembranças do escândalo dos R$ 51 milhões

Ex-ministro condenado por lavagem de dinheiro apareceu ao lado do presidente durante convenção do PT em Salvador; aproximação provoca críticas e resgata um dos maiores escândalos de corrupção da história recente

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB) voltou a aparecer em destaque no cenário político ao surgir ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a convenção da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), realizada no sábado (1º), no Parque de Exposições, em Salvador. O evento oficializou as candidaturas de Jerônimo Rodrigues à reeleição para o governo da Bahia e de Jaques Wagner e Rui Costa ao Senado.

Nas redes sociais, Geddel divulgou vídeos e fotografias em que chega ao evento acompanhando Lula e interage com o fotógrafo oficial da Presidência, Ricardo Stuckert. Em uma das publicações, escreveu:

“Chegando com Lula e brincando com o fotógrafo do presidente. Uma convenção gigante que aponta para uma vitória em primeiro turno.”

A cena chamou atenção porque Geddel permanece como um dos personagens mais conhecidos dos grandes escândalos de corrupção da política brasileira.

O escândalo dos R$ 51 milhões

Em setembro de 2017, a Polícia Federal encontrou cerca de R$ 51 milhões em dinheiro vivo, distribuídos em malas e caixas dentro de um apartamento em Salvador ligado ao ex-ministro. A operação entrou para a história como a maior apreensão de dinheiro em espécie já realizada pela Polícia Federal.

Após o julgamento da ação penal, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Geddel por lavagem de dinheiro. Inicialmente, a pena foi fixada em 14 anos e 10 meses de prisão, além de multa e indenização milionária. Posteriormente, a condenação pelo crime de associação criminosa foi anulada, mas permaneceu a condenação por lavagem de dinheiro, com redução da pena.

Em entrevistas posteriores, o próprio Geddel admitiu que o dinheiro encontrado no apartamento seria destinado a uma campanha política para o governo da Bahia, declaração que repercutiu amplamente.

Influência política preservada

Mesmo sem exercer mandato eletivo, Geddel continua influente na política baiana. Aliado do governador Jerônimo Rodrigues, participa das articulações do grupo governista e mantém espaço dentro do MDB baiano, sendo apontado por analistas como uma das lideranças responsáveis pela estratégia eleitoral da base governista no estado.

Sua presença ao lado de Lula na convenção reforçou essa proximidade política e gerou repercussão nas redes sociais.

Reações e críticas

A participação de Geddel ao lado do presidente provocou críticas de opositores, que apontaram incoerência em ver um político condenado por lavagem de dinheiro recebendo espaço de destaque em um evento partidário.

A imagem do abraço entre Lula e Geddel inevitavelmente remete ao episódio do apartamento onde foram encontrados os R$ 51 milhões em espécie, um caso que marcou a história recente da política brasileira.

Ao mesmo tempo, apoiadores do governo lembram que Geddel cumpriu as determinações da Justiça, obteve progressão de regime e posteriormente liberdade condicional, mantendo seus direitos políticos dentro dos limites definidos pelas decisões judiciais.

O significado político do reencontro

Além do simbolismo do reencontro, a presença de Geddel demonstra a importância estratégica do MDB baiano para a campanha de reeleição de Lula no estado, considerado um dos principais redutos eleitorais do presidente.

Independentemente da leitura política, o episódio recoloca em evidência um dos casos de maior repercussão da Operação Lava Jato e mostra como figuras envolvidas em grandes escândalos continuam exercendo influência na política brasileira, alimentando o debate público sobre alianças, memória política e responsabilidade dos agentes públicos.

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