Gilmar passa pano e protege aliado no caso Master

Gilmar passa pano e protege aliado no caso Master

Em nome da “segurança jurídica”, ministro sai em defesa de Toffoli e endossa arquivamento que ignora suspeitas incômodas

O ministro Gilmar Mendes voltou a entrar em campo para defender um colega de toga. Desta vez, saiu publicamente em apoio à decisão da Procuradoria-Geral da República (PGR) que arquivou o pedido de afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Para Gilmar, o arquivamento seria prova de que “as instituições estão funcionando normalmente”. Para muitos, soa mais como corporativismo em ação.

A manifestação foi feita em uma postagem nas redes sociais, na qual Gilmar exaltou o que chamou de decisões “técnicas” e livres de pressões externas. Na prática, a PGR decidiu não levar adiante a representação apresentada por parlamentares que questionavam a permanência de Toffoli no caso, citando, entre outros pontos, a polêmica viagem do ministro em um jatinho ao lado de advogado ligado a executivos do banco investigado.

O procurador-geral Paulo Gonet alegou que não havia providências a tomar, afirmando que o assunto já está sob apuração no próprio Supremo, com acompanhamento regular da PGR. O detalhe é que o despacho evitou entrar no mérito dos fatos e ignorou revelações mais recentes que ampliam o desconforto em torno do caso — como os vínculos empresariais envolvendo familiares de Toffoli e pessoas próximas ao controlador do Banco Master.

Mesmo assim, Gilmar Mendes tratou o arquivamento como exemplo de maturidade institucional. Em sua avaliação, decisões baseadas em critérios jurídicos “objetivos” reforçam a confiança no sistema constitucional. O problema é que, do lado de fora do STF, cresce a percepção de que esses critérios parecem sempre proteger os mesmos.

Nos bastidores da Procuradoria, segundo reportagens, o tema da suspeição é tratado com extremo cuidado — quase como um tabu. Integrantes da PGR avaliam que pedidos desse tipo dificilmente prosperam no Supremo e lembram experiências passadas, como na Lava Jato, quando tentativas de afastar ministros acabaram enterradas sem maiores consequências.

A representação arquivada havia sido apresentada em dezembro por deputados da oposição, mas o assunto está longe de morrer. Parlamentares já articulam um novo pedido, agora com o que classificam como fatos mais graves e conexões patrimoniais diretas envolvendo o banco liquidado e pessoas próximas ao ministro relator.

Enquanto isso, a cena se repete: ministros defendendo ministros, a PGR evitando conflitos e a sociedade assistindo, mais uma vez, à sensação de que no topo do Judiciário a régua da desconfiança nunca encosta em quem veste toga.

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