Sob mira dos EUA, Moraes assiste clássico do Corinthians e mantém decisão sobre Bolsonaro para setembro

Sob mira dos EUA, Moraes assiste clássico do Corinthians e mantém decisão sobre Bolsonaro para setembro

Mesmo alvo de sanções da Lei Magnitsky, ministro do STF ignora pressão americana, comparece à Neo Química Arena e reforça que julgamento do ex-presidente seguirá no prazo previsto.

A crônica do dia em que Moraes virou pauta dentro e fora de campo

Na mesma quarta-feira (30), Alexandre de Moraes acordou com seu nome estampado nas manchetes do mundo — alvo de sanções econômicas dos Estados Unidos, sob acusação de sufocar a liberdade de expressão e perseguir aliados de Jair Bolsonaro. À noite, trocou o peso da geopolítica pelo clima de arquibancada: vestiu a camisa do Corinthians, foi à Neo Química Arena, acompanhado da esposa, e vibrou no clássico contra o Palmeiras pelas oitavas de final da Copa do Brasil.

Filmado na chegada, respondeu com o tradicional “Vai, Corinthians”. Reconhecido por alguns torcedores, recebeu aplausos e vaias. Retribuiu com acenos… e um gesto nada protocolar com o dedo médio. Dentro de campo, o Timão venceu por 1 a 0 e ficou a um empate da próxima fase.

Mas fora do gramado, o jogo era outro. Pela Lei Magnitsky, os EUA congelaram eventuais bens e contas ligadas a Moraes em território americano. A medida tem efeito prático quase nulo: o ministro não tem patrimônio nem conta bancária nos Estados Unidos e seu visto para entrar no país está vencido há dois anos.

Mesmo assim, a decisão provocou forte reação política no Brasil. O STF, o presidente Lula e autoridades de diferentes esferas saíram em defesa da soberania nacional. Moraes, segundo aliados, não demonstrou preocupação — e manteve a previsão de encerrar, em setembro, o julgamento de Bolsonaro, que pode resultar em até 43 anos de prisão pela suposta tentativa de golpe para se manter no poder após a derrota de 2022.

A decisão americana gerou críticas até de quem ajudou a criar a lei. O britânico William Browder, responsável por inspirar a aprovação da Magnitsky, disse que Moraes não se encaixa no perfil para o qual a norma foi pensada — voltada a punir corruptos e violadores graves de direitos humanos. Organizações como a Transparência Internacional e a Human Rights Watch também condenaram o uso político da lei, alertando para um perigoso precedente de ingerência estrangeira em decisões judiciais de outros países.

Enquanto isso, no Brasil, o clima segue tenso. Eduardo Bolsonaro comemorou a sanção americana, reforçando que atuou junto ao governo Trump para pressionar contra Moraes. Mas, apesar da pressão internacional e dos bastidores políticos agitados, o ministro pareceu imune à maré de ataques — e, pelo menos naquela noite, deixou que o único placar que importasse fosse o do Corinthians.

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