
Gilmar pressiona TSE e cobra Cármen Lúcia por demora em caso de Denarium
Processo de cassação de Antonio Denarium se arrasta há quase dois anos e gera cobrança pública no STF
O ministro Gilmar Mendes elevou o tom ao comentar a demora no julgamento do processo que pode levar à cassação do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium. Segundo ele, a situação é ainda mais grave do que outros casos recentes analisados pela Justiça Eleitoral.
A declaração foi feita durante sessão que discutia questões eleitorais no Rio de Janeiro, mas acabou trazendo à tona a lentidão no andamento do processo no Tribunal Superior Eleitoral.
Cobrança direta em plenário expõe tensão entre ministros
Durante o julgamento, Gilmar Mendes revelou ter recebido o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima e afirmou que o caso de Denarium preocupa pela demora e pela gravidade das acusações.
O ministro destacou que já existem votos favoráveis à cassação, mesmo após a saída de Denarium do cargo para disputar uma vaga no Senado.
A fala gerou reação imediata da presidente do TSE, Cármen Lúcia, que respondeu publicamente. Segundo ela, o processo ainda não foi incluído na pauta porque não estava liberado para julgamento no plenário.
Acusações envolvem uso da máquina pública para compra de votos
O ex-governador foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima por abuso de poder político e econômico. De acordo com as decisões, Denarium e seu vice, Edilson Damião, teriam utilizado programas sociais e a estrutura do governo para influenciar eleitores.
As investigações apontam distribuição de benefícios e serviços públicos como forma de obter apoio político — prática considerada ilegal pela Justiça Eleitoral.
Processo travado há anos aumenta pressão por decisão
Apesar das condenações em instâncias anteriores, o caso está parado no TSE há quase dois anos, em meio a sucessivos pedidos de vista. O mais recente foi feito pelo ministro Nunes Marques, em novembro de 2025.
Até agora, os ministros Isabel Gallotti e André Mendonça já votaram pela cassação.
Após a cobrança pública feita por Gilmar Mendes, o processo voltou a ter movimentação e foi encaminhado novamente ao plenário do TSE.
Comparação com caso no Rio amplia debate
A crítica de Gilmar ocorre em meio à recente decisão que tornou inelegível o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Para o ministro, a demora em julgar o caso de Roraima contrasta com a rapidez de outras decisões, o que levanta questionamentos sobre critérios e prioridades dentro da Justiça Eleitoral.