
Golpes com áudios falsos revoltam aposentados e já somam 176 mil contestações no INSS
Beneficiários denunciam descontos indevidos com gravações forjadas e dados errados; idosos relatam nunca terem autorizado filiações nem contratos com associações
O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já recebeu 176 mil contestações de aposentados e pensionistas que afirmam ter sido vítimas de descontos indevidos em seus benefícios. As reclamações se referem a documentos enviados por associações que alegam contratos com os beneficiários, mas que, segundo os denunciantes, são forjados, com erros nos dados pessoais e até áudios falsificados.
As principais falhas encontradas nos documentos contestados envolvem informações erradas, como nomes trocados, CPFs que não batem e áudios manipulados usados como supostas provas de consentimento. A CNN já havia revelado em junho que gravações falsas estavam sendo enviadas ao INSS por algumas dessas entidades, como se fossem aceites válidos de contratos.
Um dos casos é o de Maria Lúcia Braga, aposentada do Distrito Federal. Em resposta enviada ao INSS, a associação anexou um áudio em que ela supostamente teria concordado com os descontos. A gravação, além de difícil de entender, mostra um “sim” seguido por um trecho em que a mulher tenta informar seu CPF, mas é interrompida. Maria Lúcia nega veementemente ter autorizado qualquer coisa e afirma que nem reconhece a própria voz no áudio. O filho dela também garante: “Essa voz não é da minha mãe”.
Outro caso envolve a AMBEC (Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos), que enviou ao INSS documentos com dados completamente desencontrados. O termo de filiação de uma beneficiária chamada Varlinete Soares da Silva trazia, no lugar do nome dela, o de Joseliete Nogueira Nery — embora o CPF fosse o de Varlinete. Além disso, o endereço no documento estava errado: informava Salvador, quando a aposentada vive em Brasília. Ela também declarou que o áudio atribuído a ela é falso, com nome, CPF e voz completamente diferentes.
Em outro caso, um aposentado que teve descontos feitos pela AASAP (Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionistas) recebeu a justificativa de que já havia sido excluído da base e que os valores haviam sido devolvidos no fim de 2024. Porém, ele afirma que nunca viu esse dinheiro e não autorizou nenhum contrato com a associação.
Como já revelado pela CNN, centrais de telemarketing e robôs automatizados foram usados por essas entidades para criar o que chamam de “descontos associativos” — sem o consentimento de muitos aposentados.
O prazo para contestar esses descontos ainda está aberto. A denúncia pode ser feita diretamente no INSS ou em agências dos Correios.