
OAB do Rio condena desfile pró-Lula e aponta intolerância religiosa na Sapucaí
Fantasia de “famílias em conserva” gera reação jurídica, política e acusações de preconceito contra cristãos
A seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Rio de Janeiro divulgou uma nota dura nesta terça-feira (17) para repudiar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou à Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O foco da crítica foi uma ala que exibiu fantasias de “famílias em conserva”, representadas dentro de latas, associadas a grupos conservadores e religiosos. Para a OAB-RJ, a apresentação ultrapassou os limites da manifestação cultural e entrou no campo da discriminação religiosa.
Em nota oficial, a entidade classificou o episódio como “grave” e afirmou que o desfile configurou intolerância e preconceito contra cristãos, uma vez que a exibição foi transmitida ao vivo e expôs símbolos e valores religiosos ao escárnio público.
Violação à liberdade religiosa, diz a OAB
O posicionamento foi assinado pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIRE) e pela Comissão Especial de Advogados Cristãos da OAB-RJ. Segundo o texto, o conteúdo apresentado na Marquês de Sapucaí fere diretamente o artigo 5º, inciso VI, da Constituição Federal, que garante a liberdade de consciência, crença e culto religioso.
Para a Ordem, não se trata de censura à arte ou ao carnaval, mas de um alerta contra o uso de eventos culturais financiados direta ou indiretamente com recursos públicos para atacar crenças religiosas e rotular segmentos da sociedade.
Reação política e resposta da escola
A polêmica também inflamou o debate político. Lideranças e parlamentares da direita reagiram nas redes sociais e passaram a estudar medidas judiciais contra a escola, alegando ofensa à fé cristã e aos valores conservadores.
Em resposta às críticas, a Acadêmicos de Niterói divulgou uma nota explicando que a fantasia pretendia fazer uma crítica ao que chamou de “neoconservadorismo”. Segundo a escola, a ala simbolizava grupos como representantes do agronegócio, defensores da ditadura militar, integrantes da elite econômica e segmentos religiosos evangélicos, todos retratados dentro de latas como uma metáfora política.
Frente Parlamentar Evangélica fala em escárnio
A Frente Parlamentar Evangélica também se manifestou oficialmente e classificou o desfile como ofensivo. Em nota, a FPE afirmou que é “inadmissível” distorcer a liberdade artística para promover deboche contra a fé cristã e atacar valores que, segundo a bancada, sustentam a sociedade brasileira.
O episódio reacendeu o debate sobre os limites entre crítica política, liberdade cultural e respeito religioso. Para críticos do desfile, a linha foi claramente ultrapassada; para defensores da apresentação, trata-se de expressão artística. No meio desse embate, a homenagem a Lula acabou se transformando em mais um capítulo de polarização política e cultural no país.