
Governo Lula anuncia novo subsídio para gasolina e diesel em meio à disparada dos combustíveis
Planalto tenta conter pressão nos postos após crise internacional elevar preço do petróleo, mas medida gera debate sobre impacto fiscal e uso político
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ampliar a intervenção no mercado de combustíveis e publicou um novo decreto criando subsídios para gasolina e diesel em todo o país.
A medida, anunciada em edição extra do Diário Oficial da União, prevê uma subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina e outro auxílio de até R$ 0,35 por litro do diesel. O objetivo do Palácio do Planalto é tentar reduzir os impactos da alta internacional do petróleo, agravada pela guerra no Oriente Médio.
Segundo integrantes do governo federal, o programa terá custo bilionário e deve consumir cerca de R$ 1,2 bilhão por mês aos cofres públicos.
Governo tenta frear alta dos combustíveis
Nos bastidores de Brasília, a avaliação é de que a disparada no preço dos combustíveis começou a preocupar politicamente o governo Lula, principalmente em um momento de pressão econômica e desgaste sobre o custo de vida da população.
A nova subvenção será paga diretamente aos produtores e importadores de combustíveis através da Agência Nacional do Petróleo.
O governo afirma que o desconto deverá aparecer nas notas fiscais e chegar aos postos para aliviar o bolso do consumidor.
Diesel também recebe novo pacote de ajuda
Além da gasolina, o diesel voltou a receber atenção especial do governo federal.
O novo programa amplia benefícios já anunciados anteriormente, incluindo redução de tributos e subsídios extras para produtores nacionais.
O Planalto também confirmou medidas envolvendo GLP e combustível do setor aéreo, numa tentativa de evitar que a escalada do petróleo provoque novos aumentos em cadeia na economia brasileira.
Conta bilionária levanta críticas sobre responsabilidade fiscal
Apesar do discurso de proteção ao consumidor, o novo pacote reacendeu críticas sobre o impacto das medidas nas contas públicas.
Economistas e setores da oposição afirmam que o governo volta a recorrer a subsídios pesados para tentar conter artificialmente preços em um ano politicamente sensível.
Críticos alertam que a estratégia pode gerar pressão fiscal, aumento do endividamento público e maior dependência de receitas extraordinárias do petróleo para bancar os programas.
O próprio governo admite que os efeitos financeiros ainda não foram totalmente incorporados às projeções oficiais do Orçamento.
Planalto aposta em arrecadação do petróleo para bancar medida
Para tentar equilibrar a conta, o governo Lula aposta no aumento da arrecadação obtida com receitas do petróleo.
O problema é que parte dessa estratégia depende da aprovação de projetos no Congresso Nacional autorizando o uso dessas receitas extraordinárias para reduzir tributos sobre combustíveis.
Enquanto isso, integrantes da equipe econômica trabalham para evitar que a medida seja vista como mais uma bomba fiscal em meio às discussões sobre equilíbrio das contas públicas.
Oposição vê uso eleitoral dos combustíveis
Adversários do governo afirmam que o pacote tem forte componente político e eleitoral.
A avaliação de opositores é de que Lula tenta impedir desgaste popular causado pela alta da gasolina justamente às vésperas de uma eleição decisiva.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares da oposição acusam o governo de repetir práticas intervencionistas que marcaram gestões anteriores do PT, utilizando subsídios públicos para conter artificialmente preços e melhorar o ambiente político.
Consumidor acompanha expectativa nos postos
Enquanto governo e oposição travam nova batalha política em Brasília, motoristas e transportadores aguardam para saber se os descontos realmente chegarão às bombas.
Especialistas alertam que parte do efeito depende do comportamento das distribuidoras, refinarias e do mercado internacional do petróleo, que continua extremamente instável por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A expectativa é de que os próximos dias sejam decisivos para medir se o novo pacote federal conseguirá aliviar os preços ou se o impacto será absorvido rapidamente pela volatilidade do mercado internacional.