Haddad enxuga a máquina e demite auditor da Receita acusado de extorsão na Lava Jato

Haddad enxuga a máquina e demite auditor da Receita acusado de extorsão na Lava Jato


Ex-supervisor da Receita, Marco Aurélio Canal foi preso por cobrar propina para blindar investigados. Demissão sela ruptura com servidor que agia como delator e cúmplice.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assinou nesta terça-feira (17/6) a demissão de Marco Aurélio Silva Canal, auditor da Receita Federal acusado de envolvimento direto em um esquema de corrupção que teria beneficiado alvos da Operação Lava Jato. O desligamento foi publicado no Diário Oficial da União e encerra de forma definitiva a trajetória do servidor, preso desde 2019 por suspeita de extorquir investigados em troca de favorecimentos.

Canal foi capturado durante a deflagração da Operação Armadeira, uma ofensiva conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Receita. De acordo com as investigações, ele teria embolsado cerca de R$ 4 milhões, conforme revelou em delação premiada o ex-presidente da Fetranspor, Lelis Teixeira.

Na Receita, ele ocupava um cargo estratégico: comandava a programação fiscal e tinha livre acesso a dados sensíveis de contribuintes. Com esse poder em mãos, teria promovido investigações ilegais contra 133 pessoas, entre elas o ministro Gilmar Mendes, do STF, e sua esposa, Guiomar Feitosa. A ação rendeu duras críticas de Gilmar e levou o ministro Alexandre de Moraes a suspender as apurações, alegando quebra de sigilo e abuso de autoridade.

A exoneração de Canal também tem peso simbólico: representa uma tentativa de Haddad de limpar a imagem da Receita, ainda manchada pelos abusos cometidos durante os anos em que parte da máquina pública foi usada como instrumento de vingança política.

O Correio buscou contato com a defesa de Marco Aurélio Canal, que ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto para manifestações.

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